quarta-feira, 28 de março de 2018

Tragam uma corda e o petróleo!!

Uiiiiiiii.... que ia sendo crucificada nas redes sociais (Quem Nunca?!)
E Porquê?
Porque partilhei uma foto dos pés da Mia, dizendo que ela tem os pés feios.

"O quê??? Como assim?? então mas tu não achas que a tua filha não tem um unico defeito?? não a vais educar a achar que é um ser perfeito?? "
MÁ MAE!!!

Errrr....Não!

Primeiro não concordo que se criem os meninos a achar que são seres perfeitos, para depois chegarem à adolescência e levarem um tombo quando começam a lidar com a realidade nua e crua. Ou então ficarem uns arrogantes de primeira.
Mas isto é a minha maneira de pensar, cada um sabe de si e de como educa os filhos. 

Segundo, não há coisa mais parva do que alguém negar-nos algo evidente, principalmente se for algo que nos incomode.
"Mãe tenho os pés feios!!"
"Não tens nada filha...os teus pés são lindos!!"
É como quando perguntamos a uma amiga se determinada roupa nos fica bem.... eu não sei dos outros, mas eu, das minhas verdadeiras amigas, espero sinceridade. Respostas politicamente corretas vêm de conhecidos, não de amigos e eu quero que a minha filha saiba que da mãe vai ter sempre sinceridade.

Terceiro, não há mal nenhum em ter os pés feios. Os meus também não são bonitos. Mas a Mia tem os pés iguais aos do pai, que conseguem ser mais feios do que os meus. Mas a verdade é que não há muita gente que tenha pés bonitos. É assim, nada a fazer.

Quarto, os pés são só uma parte do corpo, que a maior parte do ano anda escondida. Se ela tivesse a cara feia, aí sim, tinha um problema.

Escusado será dizer que ela para mim é perfeita. E é assim que eu quero que ela cresça, sabendo que para nós, é e será sempre perfeita, mas que todos temos coisas menos bonitas que fazem parte de nós e não há mal nenhum nisso.

É óbvio que eu não vou passar os dias a dizer "eheheheh tens os pés feios" mas quando ela me perguntar, eu dir-lhe-ei com naturalidade que efetivamente não tem propriamente os pés do anuncio do Dr.Scholl.
Pode não ser a forma mais correta, pode não correr bem... Não sei... logo se vê!

E se daqui a uns anos ela meter na cabeça que quer fazer uma operação aos pés (como eu tanta vez ouvi a madrinha dela dizer que queria fazer) vai ter todo o meu apoio, porque também eu fui menos feliz com detalhes do meu corpo que paguei para resolver. 
Simples :)

Concluindo e baralhando... Calma gente...são só pés. Ela é linda, e o facto de eu conseguir ver que ela tem os pés feios é sinal que eu a vejo como ela é...uma miúda podre de gira mas que não tem os pés mais bonitos do mundo.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

De volta!

Não tenho escrito nada, e há uma razão para isso...

A única coisa que ocupava a minha mente, e sobre a qual me apetecia escrever, causava me tanta angustia, que preferia guardar para mim o que me ia na alma.

Chegou ao fim a licença de maternidade, e consequentemente começou a materializar-se a ideia da Mia ir para a creche.

Ao contrário do que poderia pensar, a grande questão aqui não é o facto dela ir para a creche, ou ficar com avós, ou whatever.... a grande questão aqui, e o que me deixou de rastos, foi ver chegar ao fim aquela fase em que dediquei a ela todos os meus dias... era pensar nas coisas que eu iria perder durante aquelas horas em que não iria estar com ela... era saber que ela iria procurar pela mãe, pelo cheiro da mãe, pelo colo da mãe, pela mama da mãe, pela voz da mãe, e a mãe não iria lá estar, e ela não iria perceber o porquê.... era pensar que durante mais de um ano ( sim, nestas coisas, o tempo dentro da barriga, pelo menos para mim, também conta ) todos os dias a toda a hora ela esteve junto da mãe, e agora não ia estar... era pensar no pouco tempo que lhe iria conseguir dedicar após os longos dias de trabalho, e que consequentemente, ela iria deixar de gostar de mim... era saber que não há ninguém no mundo que saiba tratar tão bem dela como eu e o pai, ninguém, conhece os olhares dela, ninguém sabe interpretar os suspiros de enfado (cada vez mais audiveis), os sinais de sono, de fome, etc.... era saber que a parte do dia em que ela está mais bem disposta, eu não iria aproveitar...

Sofri mesmo! Comecei a sofrer verdadeiramente um mês antes... houve dias em que acordei a chorar e chorava o dia todo.
O ponto alto foi o primeiro dia na creche. O dia anterior ate correu bem, eu até acordei bem, mas assim que saímos de casa, pronto, desmanchei me.

Quando a pus nos braços da educadora, soluçava de tanto que chorava. Há muitos anos que não chorava tão feio. A Mia na maior. Bem disposta como é, está bem com toda a gente, nem se apercebeu do pranto em que eu estava.

Se me perguntarem pela pior parte desde que esta jornada da maternidade começou, respondo sem hesitar que foi o primeiro dia de creche. O parto e a amamentação ao pé disto, foram uma brincadeira.
A educadora disse-me para eu ligar de hora a hora para saber dela, se isso me apaziguasse. Não liguei, não era essa a questão. A questão era ela não estar comigo.

No primeiro dia, fomos lá buscá-la antes de almoço, para ser eu a dar-lhe a sopa ( das coisas que mais gosto de fazer é dar-lhe a sopa/papa). Quando lá chegámos ela estava a dormir, tal era a descontração da bicha.

Fiquei descansada. Um dos meus maiores receios, era que ela não conseguisse fazer as sestas dela por causa do barulho normal da creche. Mas conseguiu.

No segundo dia foi menos mau. Já consegui formar frases e manter um diálogo com a educadora. OS dias seguintes foram sendo cada vez menos maus. Chorar, só mesmo no primeiro dia.

Entretanto voltei ao trabalho. Tranquila e descansada. O primeiro dia de trabalho não custou nada e adorei ser recebida com carinho por todos. A Mia continua a adaptação dela às rotinas da creche, aos outros meninos, etc... Tenho sido eu a ir levá-la e a ir buscá-la e é incrível como toda a nossa rotina se adaptou a isso de tal forma, que parece que foi sempre assim. 

Sei que me vai voltar a doer a alma no dia em que ela se lembrar de ficar a chorar, coisa que até agora ainda não aconteceu.

Por enquanto, o pior já passou. 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Pensar no que é que estava a fazer há um ano atrás é mais forte do que eu. Agora até tenho o Facebook para me ajudar nisso. Aliás... Não só penso no que é que estava a fazer "faz agora um ano", como penso no que é que estarei a fazer daqui a um ano.

E há um ano atrás nós estávamos naquela fase da gravidez que é uma seca... Não se diz a ninguém porque está muito no início, não vamos criar espectativas porque pode correr mal... Mas vamos só ali passar o dia numa loja de artigos para bebê para irmos
vendo os preços....

Será que é menina ou menino?!
Vai nascer em setembro... Em que dia será?
Será que vou passar muito mal com o calor no verão?
Será que vou enjoar? Ou engordar muito?
Temos de começar a pensar no quarto...temos de ir tirando de lá o Afonso e o Simão para fazerem o desmame...
E curso? Fazemos um curso de preparação?
E nomes? Bem se for menina já sabemos que e Maria do Carmo... Mas e se for menino? Gostamos de Afonso, mas agora Afonso é o gato..
Ela vai nascer as portas do outono...
Vou passar o natal de licença... 
Xiiiii... Ainda falta tanto tempo para o Natal!!

Já passou... Tudo isto já passou.. num abrir e fechar de olhos..
Não passou depressa.. nós é que achamos que passa depressa, quando estamos felizes.

Este ano os pensamentos são outros...
Está quase a ir para a cresce... Vou me fartar de chorar..
Será que vai ficar doente muitas vezes?
Será que eu vou conseguir ter tempo para ela? Até setembro ainda tenho as horas de amamentação, mas depois...
Será que ela vai deixar de gostar de nós, por não estarmos tanto tempo com ela?
Será que vai gostar da cresce?
Será que eu me vou conseguir dedicar novamente ao trabalho como dantes, sem estar constantemente a pensar nela?
Será que vamos perder momentos importantes?

Sem dúvida mais angustiante do que no ano passado.

Mas também vai passar.. tudo passa... É esta fase calha a todas, faz parte...

Ainda falta tanto tempo para o Natal!! :)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A cura do sono!!


Três semanas.
Há três semanas que durmo incomparavelmente melhor.
Há três semanas que a Mia dorme no quarto dela, e foi das melhores coisas que eu fiz desde que ela nasceu.

Comprámos um daqueles berços que fica ao lado da cama, o que para uma mãe de primeira viagem é uma maravilha, ter a cria ali à distância de um braço, literalmente.

Tal como falei aqui, nós já tínhamos as nossas rotinas relativamente bem definidas, e há coisa de mês e meio disse ao F. que ia tentar pô-la a dormir na cama de grades. 
O que é que aconteceu?
O pai da criança resolveu ter este diálogo com a cria:
"Tas a ver filha.... a mãe quer ver se livre de ti... até já está a correr contigo do quarto..."
Ora, por muito que eu saiba que ele se estava só a meter comigo, estas coisas pesam (sim, estou mais sensível, deixem-me).
Resultado: ao primeiro gemido da bicha, agarrei nela e levei-a para o nosso quarto outra vez.
Sabotagem...é o nome disto!! -_-

Entretanto lá fomos falando com outros pais e tal, e lá achámos que deveríamos voltar a tentar, mas mais à bruta.
Agarrámos no berço, levámo-lo para o quarto dela e ficou ao lado da cama de grades. Era o tudo ou nada, porque não íamos trazer o berço de volta para o quarto a meio da noite.
E correu bem!! No primeiro dia choramingou um bocadinho logo no início da noite, mas passou.
No post das rotinas disse que ela dormia um sono mais longo no principio da noite e de dois ciclos mais pequenos.... Agora dorme 2 ciclos grande, entre quatro horas e meia e cinco horas cada um.
Também atrasámos um bocadinho a hora de deitar (já a ando a tentar adaptar aos horários de quando voltar ao trabalho). Agora deita-se por volta das nove e meia. Acorda por volta das duas/duas e meia e dps dorme até às sete.
Ainda consigo que volte a dormir até às nove. Uma autêntica maravilha! 
Fica com o intercomunicador, claro está, e só acordo quando ela chora para mamar.
É que nem me chateia nada ter de me levantar da cama para lhe ir dar mama...porque depois volto para a cama e durmo BEM! 
Vou lá ao quarto, sem acender nenhuma luz, dou-lhe mama, deixo a na cama e volto para a minha. 
Ela às vezes vai fazendo alguns barulhos mas acaba por adormecer e eu só lá vou mesmo se ela chorar, e até agora só precisei de lá voltar uma vez.

Ter o berço ao lado da cama é bom, mas:


  • eu acordava com o mínimo barulho que ela fazia
  • quando a sentia acordada durante algum tempo, era mais forte que eu, e ia lhe por a chucha ou tirava a do berço para mamar. Mesmo que ela não chorasse. E era eu que acabava por despertá-la
  • dormia tensa porque tentava não me mexer para não a acordar
  • Tinha insónias porque acordava muitas vezes durante a noite
  • ela acabava por dormir mal por causa do barulho que fazemos a mexer na cama

Ontem demos o passo seguinte. Pusémo-la a dormir na cama de grades, e mais uma vez correu bem. Foi só mesmo a mudança da cama. Mantemos sempre a manta onde ela dorme e isso ajuda. Assim que a deito, ela começa logo a virar a cara para se conseguir esfregar na manta. 

Também ajuda o facto dela já não precisar de embalo. No inicio da noite, deito-a acordada e ela adormece comigo a cantar (COITADA). Depois das mamadas durante da noite é só pousá-la na cama e ela adormece logo, nem precisa da chucha. 

Acho que não há ciências exatas nisto dos bebés. Eles são todos diferentes e é preciso é ir sabendo ler os sinais deles, sem forçar só porque o livro X assim o diz ou a pessoa Y fez assim com o filho.
Sempre me disseram que os pais aprendem a identificar os sinais dos filhos, e eu morria de medo de não saber identificar os da minha filha. A verdade é que no inicio eu não conseguia, para mim era tudo novo, tudo igual, mas neste momento é automático. Também acho que a Carmocas é um miúda fácil de ler, e isso ajuda muito.

Continuamos a encontrar-nos a meio caminho! :)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

365 dias depois....


Faz hoje um ano que fiz um daqueles testes de gravidez da farmácia, após uma semana de atraso, e confirmei que estava de esperanças.
Não me vou esquecer do dia porque tive um evento importante da empresa, e passei o dia a pensar que tinha de fazer o teste quando chegasse a casa.
Não deixou de ser engraçado estar nesse dia a almoçar com colegas e uma me dizer "Agora que a C. está quase a voltar da licença, a seguir és tu a ficar grávida"...ahahahah 

Foi um ano espetacular, claro está. A gravidez correu bem, e eu consegui manter as idas ao ginásio até aos 4 meses. A partir daí, não por falta de vontade, mas por falta de tempo, a coisa ficou para trás.

Durante a gravidez fui sempre fazendo caminhadas à beira rio. Como não tinha restrições da médica, todos os dias saía de casa por volta da hora de almoço (sim, no pico do calor), e fazia entre 6 a 7 km à beira Tejo. Claro que isso ajudou a controlar o ganho de peso.

Pesei me 3 dias antes da Mia nascer e estava com exatamente mais 10 kg do que o meu peso habitual. Faço parte daquele grupo de mulheres sortudas que não faz grande retenção de líquidos, nem pés inchados, nada...
Voltei a pesar-me uma semana depois da bicha ter nascido e estava com mais 4 kg do que o meu peso habitual, por isso fiquei tranquila.

Passados 4 meses, apesar de estar satisfeita com a recuperação e já estar com o meu peso habitual (só me voltei a pesar ontem), achei que estava na hora de voltar ao exercício.

Marquei uma sessão de PT e lá fui eu com as esquisitices do costume:
- Não quero perder peso
- não quero ganhar peso
- Não vou fazer dieta
- Não como às horas que devia ( embora esteja um bocadinho mais disciplinada por causa do leite)
- Não tenciono vir ao ginásio muitas vezes por semana
- Não gosto de correr na passadeira
- Não gosto de fazer flexões
- Não gosto de burpees
Posto isto.... era um milagre para a mesa do canto sff ahahaha

Basicamente preciso de tonificar: pernas, braços, rabo e barriga. 
Fiquei a saber que ainda tenho a diástese abdominal aberta ( a parte central do abdominal que abre para a barriga crescer durante a gravidez), por isso não me posso esticar muito nos exercícios abdominais.

À parte disso, soube bem voltar a fazer exercício.

Se de pois de voltar ao trabalho me vai apetecer abdicar do pouco tempo livre para estar com a bicha, para ir ao ginásio, isso já é outra conversa. A ver vamos, até porque ainda falta um tempinho :)



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O meu maior medo.


Quando pensava que ia ter uma criança, muitos medos surgiam. Eu nunca tinha tido contacto com bebes a ponto de ter algum tipo de preparação. Nunca tinha mudado uma fralda, e poucas vezes tinha pegado num recém nascido, por isso as inseguranças eram muitas.
Medo da alteração de rotinas, da mudança drástica nas nossas vidas, e do seu caráter definitivo.

Mas no meio disto tudo, o meu maior medo era o de perder a relação que tinha com o F. 
É inegável que um filho é uma pedrada no charco. Todas as alterações inerentes, o cansaço, as tarefas, têm tudo para poder comprometer a relação e esse era o meu maior medo. 
Namorados há quase 11 anos, sempre tivemos uma dinâmica e uma cumplicidade muito grande e eu morria de medo que o aparecimento duma criaturinha nos destabilizasse, nos fizesse discutir, coisa que até então não acontecia, nos anulasse, nos fizesse perder o encanto.
Cheguei a temer deixar de gostar tanto dele, por passar a gostar mais da texuga.
Tive medo que se perdesse o que nós tínhamos, e que se perdesse para sempre. Que nos afastássemos, que passássemos a existir em função da Mia e que os nossos assuntos e as nossas conversas girassem exclusivamente à volta dela.

Nada disso aconteceu. A nossa dinâmica mantêm-se, simplesmente adaptámos o nosso dia-a-dia à nossa bicharoca. 
Continuamos a ser dois putos que se riem de coisas parvas. Continuamos a adormecer no sofá e a tomar o pequeno almoço ao meio dia ao fim de semana. Continuamos a andar de mão dada, a comer fast-food, a partilhar piadas parvas e gossip. Continuamos a falar com o olhar e a adivinhar os pensamentos um do outro.  Continuamos a falar de tudo e mais alguma coisa, e eu continuo a ser a esposa que manda mensagem a dizer "Tou chateada contigo!" porque não gosto de ficar a moer as coisas.

Continuamos a ser uma equipa e eu continuo a amá-lo como sempre, ou ainda mais, e assim sendo, não tenho medo de mais nada.



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O problema não é ela, sou eu!


Ando podre!!
"Ah mas ela não te dá boas noites?!"
Dá!...A Mia acorda no máximo duas vezes por noite.... não dorme a noite toda, mas para uma bebé de quatro meses que está só com leite materno, não nos podemos queixar.

Então qual é o problema?
O problema é que, uma das vezes que ela acorda é por volta das 4h ou 5h e depois aqui a menina não volta a pregar olho.

Sempre tive este problema, isto não é novo, aliás, a minha mãe era igual. Se acordo durante a noite, facilmente espanto o sono. 
Adoro adormecer no sofá, mas o meu organismo está programado para estar acordado o tempo suficiente para chegar do sofá à cama. Se fizer algum desvio para ir, sei lá,  à casa de banho, beber água, whatever... é o suficiente para não voltar a pregar olho.

Tive sorte durante a gravidez por não ser daquelas grávidas que acorda de hora a hora para ir à casa de banho, senão estava tramada.

E depois não sou daquelas pessoas que está acordada e está bem. Estou acordada às voltas na cama durante horas, arreliada por não estar a dormir, a pensar que devia estar a dormir, enervada por não estar a aproveitar para descansar.... Para cumulo esta noite, cheguei a levantar-me e ir para a sala mas quando a criança voltou a acordar, eu estava tão enervada que ela não conseguiu mamar, porque com os nervos, o leite não saía!!! 
Depois a falta de descanso tolda-nos o discernimento...Eu choro porque não consigo dormir, ela chora porque não consegue mamar.. Tadinha, apanhada no meio dum drama destes, às tantas da manhã, sem ter culpa nenhuma.

Haverá muitas mães de bebés a sofrer de insónias?? 

Que paciência!!

sábado, 6 de janeiro de 2018

O que eu queria, era ter um menino!

Sim, sempre que pensei em ter filhos, sempre me imaginei como mãe de menino, mais ainda porque até há bem pouco tempo não considerava ter mais do que um filho.
Aliás, quem me conhece há mais tempo sabe que quando se falava de filhos, eu dizia que preferia ter um menino.
Na verdade nunca tivemos um nome 100% decidido caso fosse rapaz, no entanto, Maria do Carmo já há muito que era a nossa escolha caso fosse menina.
Quando a obstetra começou a dizer "Não se vê muito bem, mas se eu tivesse de arriscar , diria que era uma menina" confesso que parte de mim tremeu. 
Na ecografia morfológica veio a confirmação, era uma texuga!
Acho um bocado exagerado dizer que me senti desiludida, mas o sentimento não andou longe disso. Parecia que alguém não tinha lido o meu guião, e não tinha visto que era suposto ser um rapaz e não uma rapariga. 
Nunca fui muito girly, e toda as coisas de meninas, as bonecas, as brincadeiras, as roupas, as purpurinas, as princesas, etc, me causavam algum asco.

"Ah e tal, mas o importante é vir com saúde!"
Claro que sim, mas não acredito que, quando há uma preferência no género e as contas saem ao lado, não haja este sentimento de "Nãaooo...eu é que escolho!!" 
É egoísta?!... Claro que é! Ao mais alto nível! Mas é assim..

A verdade é que aos poucos fui me habituando à ideia de ter uma cachopa, e agora olhando para trás, acho que quem não leu bem o guião, fui eu. 
Estou a amar ter uma menina, uma "eu" em miniatura. Descobrir as características que fazem dela mulher tem sido qualquer coisa de delicioso. 
É super dramática e teatral, quando quer alguma coisa, faz um chorar de manha e manda a cabeça para trás enquanto bate o pé! SIM com três meses ela levanta a perna quando faz birra, é lindo!
Grita com os bonecos, é super tagarela... vai ser como a mãe e passar duas horas ao telefone com a melhor amiga, depois de chegar a casa e ter estado o dia todo com ela na escola.
Os gritinhos que já dá (e que me vão dar cabo da cabeça daqui a uns tempos) e os risos agudos, são tão de menina..!!

Tem sido difícil encontrar roupa que não tenha brilhantes. Apesar de me ter rendido aos rosas, continuo a odiar tudo o que tenha brilhantes. Já me basta pensar que vou ter de tolerar quando ela tiver capacidade de escolher.

Quando soube que era uma menina, disse logo que não queria fitas na cabeça que achava parvo..... Já tenho várias, de várias cores e feitios.
Gosto de coisas diferentes. Mandei fazer um turbante para ela que é um coisa...

Penso na roupa dela como pensava na minha. Penso que tenho de comprar umas calças X para vestir com a camisola Y, mas depois tenho de arranjar umas botas W, que também vão ficar mesmo bem com as outras jardineiras. E isto é coisa para me fazer gastar um bom dinheiro. É todo um mundo de perdição!

Não sai à rua de qualquer maneira...é a minha nenuca, e visto e dispo até fazer um conjunto de que goste.Ela tem uma paciência descomunal, mas no fundo acho que por ser miúda, acaba por gostar.
Depois de a vestir, levo-a sempre ao espelho e pergunto "Tás linda filha?!"...Uiii... é vê-la a rir-se toda. Já filmei várias vezes, é um máximo.

Tou doida para que o cabelo comece a crescer e possa começar a penteá-la, a por ganchinhos e lacinhos, naqueles caracóis que eu tenho a certeza que ela vai ter (ainda que preferisse que não tivesse).

Vamos ter as nossas pegas, faz parte, mas espero sinceramente que ela consiga sempre ver em mim uma mãe-amiga e confidente (digo mãe-amiga porque não se pode perder o respeito de "mãe").

Posto isto, eu queria ter tido um rapaz, mas agora não trocava a minha miúda por nada. Até já penso que se na segunda volta vier outra miúda, não me chateio como me chateei naquele dia, daquela eco, em que o Dr.Carlos Silva disse "Sabe o que é aquilo ali na imagem? é o motivo pelo qual o pai tem de comprar uma caçadeira!"

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Bump Buddies

Com a gravidez achei que ganhava mais uma pessoa na minha vida, e ganhei, a melhor que poderia imaginar :)

Mas além disso ganhei mais... Ganhei as pessoas com quem partilhei durante o ano de 2017 a alegria e o entusiasmo de estar grávida.
No meio de muitas bump buddies há uma que foi particularmente especial. A C. foi minha colega de faculdade, e por lá, Não nos dávamos mal, simplesmente nunca cruzámos os nossos santos. No entanto, através do facebook apróximámo-nos. Primeiro o gosto pelo exercício físico, depois ficámos noivas sensivelmente na mesma altura e partilhámos essa experiência, e depois ficámos grávidas. O L. tem mais 5 meses do que a Mia, e foi muito importante para mim o apoio que a C. me deu. Desde dicas, conselhos, avisos.... Dúvidas da gravidez, do parto, do hospital, do pós parto, da amamentação, da roupa, do berço, das fraldas....eu sei lá...
Quando dei por nós, estava eu a ir à casa dela buscar fraldas, e ela a vir à minha trazer biscoitos. Acho que ela nem tem noção do quão importante foi naquela fase.
A verdade é que, ter alguém que tinha passado pelo mesmo que eu, há bem pouco tempo, ajudou a apaziguar-me em muitos momentos. E embora 5 meses pareçam quase nada, nos primeiros meses acontece tanta coisa que, uma mãe que leva um avanço de cinco meses já tem muita dica útil para dar a quem acaba de começar a sua jornada.

Amigas, vizinhas, colegas de trabalho, conhecidas...várias foram as que passaram este ano pela experiência de ter um filho, a maior parte delas o(s) primeiro(s)...sim porque uma delas teve gémeas!! :)

Talvez pela C. ter sido tão importante para mim, tem me enchido o coração cada vez que me mandam msg a pedir conselhos. Fico genuinamente feliz por poder ajudar e fazer pelos outros, o que fizeram por mim. Foi também por isso que comecei o blog, para partilhar a minha curta e humilde experiência.

Como diria o outro... Estamos juntas :)



terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Rotinas!

Foi preciso chegar aos quase três meses da texuga para ter alguma coisa a dizer relativamente a rotinas.

Primeiro importa dizer que vou relatar a nossa experiência e a nossa opinião, mas não há métodos certos nem errados. Cada um tem de encontrar o seu método.

Começámos a impor horários à bicha às 3 semanas. Sim é um pouco cedo, mas mal não fez, e para nós foi importante, naquela altura tão atribulada, começarmos a dar alguma estabilidade ao nosso dia a dia.

Tendo em conta que o banho a acalmava, decidimos então que faríamos Banho - Mama - Cama.
Na primeira tentativa de estabilizar horários, dávamos banho às 23h30 com intuito de a por na cama à meia noite e ela dormir grande parte da noite.
Em poucos dias percebemos que era asneira. Primeiro porque não eram horas duma criança ir para a cama, e queríamos impor boas rotinas de sono desde cedo. Depois ela ferrava a dormir por volta das 21h, o que fazia com que tivéssemos de penar para a acordar para dar banho, o que não fazia sentido de todo. Custava muito mais para a adormecer e pior, ela acabava por, obviamente, não dormir grande parte da noite.

Depois de ler algumas coisas, nomeadamente o livro da Constança Cordeiro Ferreira, "Os bebés também querem dormir" (aconselho vivamente!!) trocámos as voltas para aquilo que é hoje a nossa rotina.

A ordem continua a ser a mesma, Banho-Mama-Cama, mas damos banho às 20h30 e no máximo às 21h30 ela está a dormir. Este sono tem normalmente a duração de 5 ou 6 horas e é o maior sono que ela faz. Por volta das 2h30/3h30 ela acorda para mamar. O ciclo seguinte já é mais curto, 2 ou 3 horas. Quando volta a acordar dou mama e se oferece muita resistência a voltar a dormir, salta para a cama dos papás e dorme até às 8h. Às 8h acorda quando o papá sai de casa, mudo a fralda, dou mama, brinco um bocadinho com ela, e depois dorme até às 10h30/11h.

Esta rotina permite-nos jantar descansados e "chillar" um bocadinho os dois no sofá, ver um filme, etc. Normalmente vamos para a cama por volta da meia noite.
Também é bom aos fins de semana porque podemos ir jantar fora ou a casa de amigos, e ela está sempre a dormir. Falei disso aqui.

Depois de reler o livro da Constança (tinha lido ainda grávida, mas agora tudo faz muito mais sentido) cheguei à conclusão que este é o padrão "normal" dos bebés, terem um ciclo de sono maior no inicio da noite, e depois terem ciclos mais pequenos. Supostamente com o tempo, o ciclo maior vai sendo cada vez maior, até ser a noite toda. A ver vamos.

Durante o dia não somos tão rígidos com as horas. A única coisa que faço questão é que ela durma uma sesta de manhã e uma à tarde. E ela já o faz naturalmente. Entre as 11h e as 12h está a dormir a da manhã (dependendo da hora a que acorde) e normalmente é feita ou no ovo ou no pano porque é a essa hora que aproveito para sair de casa e fazer as minhas coisas.
À tarde entre as 15h e as 17h começa a dormir a sesta da tarde. Esta sesta é mesmo necessária e se até às 17h ainda não a convenci a dormir naturalmente e sozinha, adormeço-a, em ultimo caso ao colo. É mesmo muito importante que ela durma durante o dia para à noite ser mais fácil dormir.

As sestas têm de ser de pelo menos 45 minutos que é aproximadamente o tempo que dura um ciclo de sono da Mia.
Os ciclos de sono são compostos pela fase REM (Rapid Eye Movement) que é a parte do sono leve e em que eles (e nós) processamos toda a informação que obtivemos enquanto acordados. A fase REM nos bebés dura aproximadamente 15 a 20 minutos. Depois passam para a fase de sono profundo e é nesta fase que é feito o "restart" do sistema, daí ser importante que eles cheguem a esta fase e a completem, para acordarem efetivamente restabelecidos e bem dispostos. Ao completar um ciclo de sono, eles iniciam outro, iniciando novamente com REM, e aqui aumenta a probabilidade deles acordarem uma vez que voltaram ao sono leve.
Podem ler um artigo sobre sono do bebé aqui.

Algumas notas:
O banho é dado com luz média para a começar a acalmar e com música calma (ver playlist ao lado)
A mama já é dada quase às escuras no quarto.
No inicio adormecia-a ao colo. Neste momento embalo-a um bocadinho ao colo, só por mimo, e depois ponha-a ainda acordada no berço e fico um bocadinho ao pé dela até ela estar já quase a dormir.
Uma coisa que sempre ajudou muito foi o white noise que os acalma por ser semelhante ao barulho que ouvem no útero. Inicialmente ligávamos o mobile (que tem a opção de white noite), agora o barulho do termoventilador faz o mesmo efeito.
Ela dorme dentro de uma manta da chicco que a ajuda a sentir-se aconchegada.
Até há uns dias dormia com a luz de presença do intercomunicador. Neste momento dorme sem nenhuma luz. Para a produção de melatonina (a hormona do sono) é importante que estejam às escuras. Quando acorda para mamar ligo apenas a luz de presença.
A fralda só é trocada de manhã, a menos que haja algum indício de caos nos entretantos.
Para as sestas eu baixo os estores, mas não a ponto de ficar escuridão. Às vezes dorme a sesta na sala, às vezes no berço e às vezes na cama de grades (já a ando a habituar à cama grande para depois não estranhar tanto).

Acessórios que consideramos importantes:
A manta da Chicco.
O intercomunicador da Phillips Avent
Ninho do berço ( feito por mim à mão, é uma espécie de chouriço que a faz não andar perdida na cama. fiz um para a cama de grades e um para o berço). Fiz um assim.
O berço tipo Next to me, mas da Asalvo.


É preciso alguma persistência para estabelecer rotinas, e não desistir. No entanto, como em tudo o resto, não sou fundamentalista. A Mia teve uma fase (uma ou duas semanas) em que não queria dormir a seguir à mama. Ao fim do terceiro dia percebi que não valia a pena insistir porque enervava-me a mim e enervava-a a ela. Durante esse tempo, depois do banho trazia-a para a sala, brincava com ela e ela só dormia lá para as 22h30. passada essa fase, voltou à rotina que tinha dantes.

Isto é o que funciona para nós. Há dias melhores, outros menos bons...faz parte.




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Peço desculpa aos meus amigos, conhecidos e desconhecidos...


Ultimamente, mais exatamente nos últimos dois meses e meio, não consigo falar de mais nada a não ser da minha filha. Sim, sou uma seca.

Quando falo com alguém, parece que não consigo ter mais nenhum assunto senão se ela deu uma boa noite ou não, se ela está melhor das cólicas, se mama muito...e às vezes confesso que até a mim me aborreço.
Olhando para o meu facebook e para o meu instagram, no último ano, não ha mais nada além de texuga, dentro e fora da barriga!

A verdade é que a minha vida neste momento gira inteiramente à volta dela, de como vai evoluindo de dia para dia, de como já vai conseguindo agarrar as coisas, de como já fixa o olhar no Simão e no Afonso, de como já ri, já palra, já se começa a tentar virar... Passo os meus dias a dar-lhe colo, a olhar para ela, a falar com ela, a embalá-la, a passear com ela, a fazer compras para ela... E isto não é um queixume, é o que é.

Haverei de voltar ao trabalho e ter mais assuntos... Ou não, ou trabalharei as horas que tiver de ser, e fora do trabalho continuarei a falar apenas da minha piquena.

Sempre fui contra a ideia das mulheres se anularem em prol do papel de mãe, mas neste momento não cabe mais nada na minha vida a não ser ela, e não há nada que me apeteça mais fazer do que estar com ela. Certamente este sentimento irá aos poucos acalmando, até porque gostava de pensar num segundo piqueno, mas por agora é assim que estamos.

No futuro quero ser uma daquelas mães que tem montes de hobbies, e vai ao ginásio, e faz imensas coisas....

Por agora só consigo ser mãe e esposa.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A caminho do terceiro!!


Quando a Carmita tinha 3 semanas fomos a um batizado. Havia montes de crianças, e entre felicitações e dicas, a opinião de mães e pais divergiu. 
Os pais diziam : "Aproveitem o primeiro mês, é o melhor. A partir daí é sempre a piorar!!"
As mães por sua vez : "Se conseguirem sobreviver ao primeiro mês, está tudo bem. O primeiro é o pior, depois a coisa vai melhorando"

Ora tenho a dizer que, como mãe que sou, concordo inteiramente com as outras mães. Acabada de ultrapassar a marca do segundo mês, confirmo que a coisa vai efetivamente melhorando.

Agora já consigo distinguir os choros da piquena. Até já sei qual é o choro de manha. Sim, aquele que dura 10 segundos, ela põe a cabeça para trás, e depois acaba com ela a olhar para mim com ar de "Então, este não pegou?!". 

Já consigo identificar os sinais de sono, que não sendo atendidos, resultam no choro do sono. 

Já sei como é o choro de cólicas. É um choro que me faz a mim sentir dores (não só as dores de mãe, mas principalmente as de ouvidos!!)

Já sei quando é que posso/consigo fazer massagem das cólicas, ou quando é que nem vale a pena tentar porque só vai piorar.

Já sei quais as posições em que ela gosta mais de estar ao colo. 

Já consigo ler nos olhos dela se ela está calma, com sono, irritada, bem disposta, ou se simplesmente quer a chucha,

Já mudo fraldas de noite, sem acender a luz, de olhos fechados, sem sair da cama, no carro, sem lhe despir as calças nem descalçar os ténis, e ela fica sempre limpinha. Nenhum assadura até agora. #Proudofmyself

Já a magoo às vezes, e não se passa nada, ela nem reage. Às vezes acontece... Uma unhada, um safanão... é normal! Não é de propósito obviamente, e mesmo assim, para alguém tão desastrada como eu, até tem corrido muito bem.

Já consigo lidar bem com a amamentação. Já sei quando ela está efetivamente a consumir o que é suposto, ou se está só ali a pensar na sua curta vidinha.

Já conseguimos ter momentos de brincadeira, com música, com bonecos... Já dançamos. Ela já se entretém sozinha no tapete de atividades.

Ela já não desata a chorar quando acorda e está sozinha no quarto.

Já a visto e dispo com uma destreza considerável. Limpo olhos, cara, orelhas. Aspiro nariz, estimulo com bebegel...Já faz tudo parte do nosso dia a dia.

Já consigo ter a minha opinião acerca de cenas tipo fraldas, roupa, brinquedos, etc...

Já consigo dar de mamar em sítios públicos sem espalhafato. Sim, não sou daquelas mães fundamentalistas que acha que sacar da mama num centro comercial, à frente de toda a gente, é normal. Desculpem-me a sinceridade.
"Ah e tal é uma coisa natural!".... bem, fazer xixi também é, e eu fecho a porta quando vou à casa de banho. Lamento mas para mim é tão simples quando isto.

Já funciono bem com a produção de leite.

Já a aperto de tanto que gosto dela e ela já aceita os meus beijos intermináveis com uma paciência surreal para um bebé.

Só há uma coisa que ainda não faço, porque é tarefa exclusiva do pai da criança, que é dar banho. E também ainda não dominamos muito bem o pós banho, que resulta sempre em berreiro, até estar completamente vestida novamente. Temos feito várias tentativas. Desconfiamos que tem tudo a ver com o frio, por muito que tentemos aquecer o quarto. Temos feito a coisa por tentativa e erro. Havemos de descobrir a fórmula, nem que seja no verão de 2018, quando já não estiver frio ahahaha
(se alguém tiver dicas, são muito bem vindas!!)

Concluindo e baralhando, sim, acho que o primeiro mês foi o mais difícil. Muita coisa para aprender de repente, muita emoção à flor da pele, muita maçariquice.... Que vai tendendo a melhorar com o tempo.

Para os pais, percebo que à medida que eles vão crescendo e dando mais trabalho, logisticamente falando, lhes pareça que o primeiro mês era mais fácil, que é quando os bebes estão confinados ao berço e pouco mais. Dormem, comem e sujam fraldas.




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Baixas, licenças e outras burocracias!!


Ora bem... tudo isto foi novidade para mim. A trabalhar desde os 17 anos, felizmente nunca precisei de estar de baixa por isso não fazia a mínima ideia de como é que a  coisa se processava.
Tentei procurar alguma informação, mas na Seg.Social nunca ninguém sabe dizer nada com muita certeza, e nos fóruns da vida, cada uma diz a sua coisa e por isso ficamos basicamente na mesma.

Então, por partes:

Baixa por gravidez de risco 
Aos 6 meses e meio a médica achou que eu devia parar. Foi muito simples. Fui ter com ela ao hospital, ela passou me a baixa desde esse dia até à data prevista para o parto. Entregou me uma cópia para eu levar à minha entidade patronal e pronto.
Isto foi no dia 7,e no dia 28 desse mesmo mês* recebi a primeira baixa (ou seja os dias de 8 a 31 desse mês).
Foi fácil e rápido. Uma verdadeira surpresa.

Licença
Então, a partir do momento em que o bebe nasce, deixamos de estar de baixa e passamos a estar de licença. Nesta fase a coisa não corre assim tão bem.
O pai foi entregar os papeis preenchidos à Seg.Social, no dia seguinte ao nascimento da texuga (podem ser entregues online mas o preenchimento não é a coisa mais fácil do mundo, por isso, e para não corrermos riscos, decidimos fazer a coisa pessoalmente).
Passaram-se exatamente dois meses até recebermos a primeira prestação. Este período de espera pode ser um pouco mais longo ou um pouco mais curto uma vez que estas prestações sociais têm datas específicas para processamento, por isso, se prestação estiver para pagamento, mas tiver passado o dia de processamento desse mês, já só se recebe no mês seguinte. É como os comboios, quando perdemos um, temos de esperar pelo seguinte.

Sim, no primeiro mês dos pequenos, a mãe não recebe nada e o pai recebe só parte do ordenado. É muito bom!!

Relativamente aos dias a tirar.
Não vou entrar muito em pormenor porque há inúmeras possibilidades de gozar as licenças...

O Pai
Tem direito a 25 dias, 15 dos quais obrigatórios e 10 facultativos (pode optar por não os tirar). Têm de ser tirados logo a seguir ao nascimento*. Estes dias são úteis e pagos a 100% pela SS. Significa que no mês ao ordenado do pai que apanhe estes dias, a entidade patronal irá descontá-los, uma vez que estes serão pagos pela SS. Este pagamento da SS, à partida, será em simultâneo com a primeira prestação da mãe.

A Mãe
Normalmente optam por tirar 120 ou 150 dias corridos (4 ou 5 meses). Os valores a receber dependem da licença ser ou não partilhada com o pai. Esta medida tem como objetivo promover a partilha desta fase com os pais.
Licença partilhada:
Se a mae tira 150 dias e o pai tira 30 dias corridos (imediatamente após os 150 dias da mãe), a licença é paga a 83%, de um e de outro.
Se a mae tira 120 dias e o pai tira 30 dias corridos (imediatamente após os 120 dias da mãe), a licença é paga a 100%, de um e de outro.
Licença não partilhada
Se a mãe tira 150 dias e o pai não tira dias nenhuns (além dos obrigatórios + facultativos que mencionei acima), a licença é paga a 80%.
Se a mãe tira 120 dias e o pai não tira dias nenhuns (além dos obrigatórios+facultativos que mencionei acima), a licença é paga a 100%.

Valores a receber
Os valores são calculados com base nos últimos meses: dos últimos 8 meses imediatamente anteriores ao nascimento, é calculado o valor dos diário recebido nos seis primeiros. Para este cálculo entram todos os valores nos quais tenham sido feitos descontos para a segurança social. 
Somam todos os valores brutos que receberam nesses seis meses, sujeitos a descontos para a SS e dividem por 180, obtendo assim um valor diário a ter como referência para pagamento das licenças.

Através do site da Segurança Social Direta consegue-se ver quando é que os valores já estão a pagamento. É pedir os acessos o quanto antes porque ainda demora uns dias até que estes cheguem à morada.

A terem de ir à segurança social, aproveitem durante a gravidez porque, mesmo o atendimento prioritário (pelo menos em Lisboa) chega a demorar mais de duas horas, e apanhar esta seca com um recém nascido atrelado a nós, não é fixe!

Para consultar tudo em pormenor podem aceder ao site da segurança social.

Nem vale a pena tecer comentários acerca do sistema porque de nada adianta. É o que temos.

Espero ter ajudado!! :)



*Desde Abril deste ano, a segurança social começou a fazer dois processamentos mensais, para colmatar os casos que entregassem os documentos mais tarde. Na baixa foi útil, na licença não valeu de nada.
*Os dias não têm de ser tooodos tirados após o dia do nascimento. No site da SS explicam as opções. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Baby Blues


"O quê?! Eu triste?! Se correr tudo bem no parto, e eu e ela estivermos bem, não há razão nenhuma para estar triste. Que Parvoíce!"

Foi isto que eu pensei quando no curso de preparação para o parto falaram em baby blues, que era uma "frescura" de pessoas frágeis.
Pois bem... não é!

Não chorei no parto nem em momento nenhum enquanto estive na maternidade. Mas quando voltei a casa, aí a conversa já foi outra...

A casa
É a mesma. O mesmo cão. O mesmo gato. Os mesmos móveis. Mas de alguma forma tudo parece diferente. Uma casa onde habitavam duas pessoas, agora habitam três. Para sempre (ou pelo menos durante os próximos anos).

As rotinas
Adoro rotinas. preciso delas para me sentir estável, e de repente todas as minhas rotinas foram quebradas. O hábito de há anos adormecer calmamente no sofá depois de jantar, o hábito de fazer caminhadas todos os dias de manhã nos últimos meses de gravidez... Até o almoçar e o jantar passaram a ser em função da disposição da pequena texuga. E isto é coisa para me destabilizar.

As funções de mãe
O adormecer, o mudar a fralda o entreter, o vestir, o despir e principalmente o alimentar. As dores tortas que tive não ajudaram a que me sentisse bem. A subida do leite, a produção a diminuir, a miuda a perder peso.... Não foi fácil.

O pai
Namoramos há quase 11 anos e vivemos juntos há 5. Aprendemos a viver um para o outro, só os dois. E vivemos bem. Agora há outra pessoa connosco. Sempre.

A responsabilidade
Cai a ficha. A responsabilidade alimentar, educar, mimar, ralhar, passear, ensinar, deixar errar, corrigir...a responsabilidade de fazer feliz.
Porra esta pesa e de que maneira!

Todas estas coisas, aliadas à corrente descontrolada de hormonas que habitam o nosso corpo naqueles dias, faz com que desça em nós uma melancolia do tamanho do mundo.
Nos primeiros dias controlei-me. Engoli o choro. Não queria que as pessoas achassem que eu não estava feliz. O que é que haveriam de pensar?!
Cada vez que alguém dizia que a texuga era linda e perfeitinha, eu enchia-me de orgulho, mas era como um alfinete a encostar a um balão prestes a explodir.
A determinada altura desisti e entreguei os pontos. Tive um ataque de choro na rua, enquanto passeávamos o Simão. Entre lágrimas e soluços disse ao F. para não se preocupar com aquele aparato, que eu estava feliz mas que precisava de chorar de vez em quando para me aliviar. Ele fez o que conseguiu... sempre que vinha um ataque de choro, lá estava o braço à minha volta e um consolo.
Fui falando disto com outras amigas-mães e não houve nenhuma que me tivesse dito que não passou pelo mesmo e isso foi me tranquilizando. Era normal, não se passava efetivamente nada de errado comigo.
Chorava por duas razões: por tudo e por nada!
O pico foi no dia em que ele voltou ao trabalho. Chorei quase o dia todo. nunca me assustou ficar sozinha com ela, o problema era ficar sem ele. Lá está, mais uma quebra de rotina. Depois de mais de um mês em casa comigo (parte dele, ainda antes da texuga nascer), ele voltava ao trabalho. Fechava-se o capitulo "Gravidez e parto".
No dia seguinte tudo estava melhor. O baby blues começava a passar. Comecei a criar as minhas rotinas com a bicha e senti-me a estabilizar outra vez.

Ainda choro às vezes, mas porque me comovo mais facilmente do que antes.(estou a escrever isto e a limpar lágrimas....shhhhiiiuuuu)
Acho que a pequena texuga me amanteigou o coração, e isto acho que não vai passar.

Substimei esta porcaria do baby blues e sinceramente, foi uma treta... Mas passou :)



Créditos Rick Kirkman e Jerry Scott




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quem nunca?! #4

Mandar a roupa que ela tem vestida toda para o lixo, depois de uma explosão de cocó.

Quem nunca?! 😂💩