segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O meu maior medo.


Quando pensava que ia ter uma criança, muitos medos surgiam. Eu nunca tinha tido contacto com bebes a ponto de ter algum tipo de preparação. Nunca tinha mudado uma fralda, e poucas vezes tinha pegado num recém nascido, por isso as inseguranças eram muitas.
Medo da alteração de rotinas, da mudança drástica nas nossas vidas, e do seu caráter definitivo.

Mas no meio disto tudo, o meu maior medo era o de perder a relação que tinha com o F. 
É inegável que um filho é uma pedrada no charco. Todas as alterações inerentes, o cansaço, as tarefas, têm tudo para poder comprometer a relação e esse era o meu maior medo. 
Namorados há quase 11 anos, sempre tivemos uma dinâmica e uma cumplicidade muito grande e eu morria de medo que o aparecimento duma criaturinha nos destabilizasse, nos fizesse discutir, coisa que até então não acontecia, nos anulasse, nos fizesse perder o encanto.
Cheguei a temer deixar de gostar tanto dele, por passar a gostar mais da texuga.
Tive medo que se perdesse o que nós tínhamos, e que se perdesse para sempre. Que nos afastássemos, que passássemos a existir em função da Mia e que os nossos assuntos e as nossas conversas girassem exclusivamente à volta dela.

Nada disso aconteceu. A nossa dinâmica mantêm-se, simplesmente adaptámos o nosso dia-a-dia à nossa bicharoca. 
Continuamos a ser dois putos que se riem de coisas parvas. Continuamos a adormecer no sofá e a tomar o pequeno almoço ao meio dia ao fim de semana. Continuamos a andar de mão dada, a comer fast-food, a partilhar piadas parvas e gossip. Continuamos a falar com o olhar e a adivinhar os pensamentos um do outro.  Continuamos a falar de tudo e mais alguma coisa, e eu continuo a ser a esposa que manda mensagem a dizer "Tou chateada contigo!" porque não gosto de ficar a moer as coisas.

Continuamos a ser uma equipa e eu continuo a amá-lo como sempre, ou ainda mais, e assim sendo, não tenho medo de mais nada.



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