sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Baby Blues


"O quê?! Eu triste?! Se correr tudo bem no parto, e eu e ela estivermos bem, não há razão nenhuma para estar triste. Que Parvoíce!"

Foi isto que eu pensei quando no curso de preparação para o parto falaram em baby blues, que era uma "frescura" de pessoas frágeis.
Pois bem... não é!

Não chorei no parto nem em momento nenhum enquanto estive na maternidade. Mas quando voltei a casa, aí a conversa já foi outra...

A casa
É a mesma. O mesmo cão. O mesmo gato. Os mesmos móveis. Mas de alguma forma tudo parece diferente. Uma casa onde habitavam duas pessoas, agora habitam três. Para sempre (ou pelo menos durante os próximos anos).

As rotinas
Adoro rotinas. preciso delas para me sentir estável, e de repente todas as minhas rotinas foram quebradas. O hábito de há anos adormecer calmamente no sofá depois de jantar, o hábito de fazer caminhadas todos os dias de manhã nos últimos meses de gravidez... Até o almoçar e o jantar passaram a ser em função da disposição da pequena texuga. E isto é coisa para me destabilizar.

As funções de mãe
O adormecer, o mudar a fralda o entreter, o vestir, o despir e principalmente o alimentar. As dores tortas que tive não ajudaram a que me sentisse bem. A subida do leite, a produção a diminuir, a miuda a perder peso.... Não foi fácil.

O pai
Namoramos há quase 11 anos e vivemos juntos há 5. Aprendemos a viver um para o outro, só os dois. E vivemos bem. Agora há outra pessoa connosco. Sempre.

A responsabilidade
Cai a ficha. A responsabilidade alimentar, educar, mimar, ralhar, passear, ensinar, deixar errar, corrigir...a responsabilidade de fazer feliz.
Porra esta pesa e de que maneira!

Todas estas coisas, aliadas à corrente descontrolada de hormonas que habitam o nosso corpo naqueles dias, faz com que desça em nós uma melancolia do tamanho do mundo.
Nos primeiros dias controlei-me. Engoli o choro. Não queria que as pessoas achassem que eu não estava feliz. O que é que haveriam de pensar?!
Cada vez que alguém dizia que a texuga era linda e perfeitinha, eu enchia-me de orgulho, mas era como um alfinete a encostar a um balão prestes a explodir.
A determinada altura desisti e entreguei os pontos. Tive um ataque de choro na rua, enquanto passeávamos o Simão. Entre lágrimas e soluços disse ao F. para não se preocupar com aquele aparato, que eu estava feliz mas que precisava de chorar de vez em quando para me aliviar. Ele fez o que conseguiu... sempre que vinha um ataque de choro, lá estava o braço à minha volta e um consolo.
Fui falando disto com outras amigas-mães e não houve nenhuma que me tivesse dito que não passou pelo mesmo e isso foi me tranquilizando. Era normal, não se passava efetivamente nada de errado comigo.
Chorava por duas razões: por tudo e por nada!
O pico foi no dia em que ele voltou ao trabalho. Chorei quase o dia todo. nunca me assustou ficar sozinha com ela, o problema era ficar sem ele. Lá está, mais uma quebra de rotina. Depois de mais de um mês em casa comigo (parte dele, ainda antes da texuga nascer), ele voltava ao trabalho. Fechava-se o capitulo "Gravidez e parto".
No dia seguinte tudo estava melhor. O baby blues começava a passar. Comecei a criar as minhas rotinas com a bicha e senti-me a estabilizar outra vez.

Ainda choro às vezes, mas porque me comovo mais facilmente do que antes.(estou a escrever isto e a limpar lágrimas....shhhhiiiuuuu)
Acho que a pequena texuga me amanteigou o coração, e isto acho que não vai passar.

Substimei esta porcaria do baby blues e sinceramente, foi uma treta... Mas passou :)



Créditos Rick Kirkman e Jerry Scott




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