Não tenho escrito nada, e há uma razão para isso...
A única coisa que ocupava a minha mente, e sobre a qual me apetecia escrever, causava me tanta angustia, que preferia guardar para mim o que me ia na alma.
Chegou ao fim a licença de maternidade, e consequentemente começou a materializar-se a ideia da Mia ir para a creche.
Ao contrário do que poderia pensar, a grande questão aqui não é o facto dela ir para a creche, ou ficar com avós, ou whatever.... a grande questão aqui, e o que me deixou de rastos, foi ver chegar ao fim aquela fase em que dediquei a ela todos os meus dias... era pensar nas coisas que eu iria perder durante aquelas horas em que não iria estar com ela... era saber que ela iria procurar pela mãe, pelo cheiro da mãe, pelo colo da mãe, pela mama da mãe, pela voz da mãe, e a mãe não iria lá estar, e ela não iria perceber o porquê.... era pensar que durante mais de um ano ( sim, nestas coisas, o tempo dentro da barriga, pelo menos para mim, também conta ) todos os dias a toda a hora ela esteve junto da mãe, e agora não ia estar... era pensar no pouco tempo que lhe iria conseguir dedicar após os longos dias de trabalho, e que consequentemente, ela iria deixar de gostar de mim... era saber que não há ninguém no mundo que saiba tratar tão bem dela como eu e o pai, ninguém, conhece os olhares dela, ninguém sabe interpretar os suspiros de enfado (cada vez mais audiveis), os sinais de sono, de fome, etc.... era saber que a parte do dia em que ela está mais bem disposta, eu não iria aproveitar...
Sofri mesmo! Comecei a sofrer verdadeiramente um mês antes... houve dias em que acordei a chorar e chorava o dia todo.
O ponto alto foi o primeiro dia na creche. O dia anterior ate correu bem, eu até acordei bem, mas assim que saímos de casa, pronto, desmanchei me.
Quando a pus nos braços da educadora, soluçava de tanto que chorava. Há muitos anos que não chorava tão feio. A Mia na maior. Bem disposta como é, está bem com toda a gente, nem se apercebeu do pranto em que eu estava.
Se me perguntarem pela pior parte desde que esta jornada da maternidade começou, respondo sem hesitar que foi o primeiro dia de creche. O parto e a amamentação ao pé disto, foram uma brincadeira.
A educadora disse-me para eu ligar de hora a hora para saber dela, se isso me apaziguasse. Não liguei, não era essa a questão. A questão era ela não estar comigo.
No primeiro dia, fomos lá buscá-la antes de almoço, para ser eu a dar-lhe a sopa ( das coisas que mais gosto de fazer é dar-lhe a sopa/papa). Quando lá chegámos ela estava a dormir, tal era a descontração da bicha.
Fiquei descansada. Um dos meus maiores receios, era que ela não conseguisse fazer as sestas dela por causa do barulho normal da creche. Mas conseguiu.
No segundo dia foi menos mau. Já consegui formar frases e manter um diálogo com a educadora. OS dias seguintes foram sendo cada vez menos maus. Chorar, só mesmo no primeiro dia.
Entretanto voltei ao trabalho. Tranquila e descansada. O primeiro dia de trabalho não custou nada e adorei ser recebida com carinho por todos. A Mia continua a adaptação dela às rotinas da creche, aos outros meninos, etc... Tenho sido eu a ir levá-la e a ir buscá-la e é incrível como toda a nossa rotina se adaptou a isso de tal forma, que parece que foi sempre assim.
Sei que me vai voltar a doer a alma no dia em que ela se lembrar de ficar a chorar, coisa que até agora ainda não aconteceu.
Por enquanto, o pior já passou.
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