quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A caminho do terceiro!!


Quando a Carmita tinha 3 semanas fomos a um batizado. Havia montes de crianças, e entre felicitações e dicas, a opinião de mães e pais divergiu. 
Os pais diziam : "Aproveitem o primeiro mês, é o melhor. A partir daí é sempre a piorar!!"
As mães por sua vez : "Se conseguirem sobreviver ao primeiro mês, está tudo bem. O primeiro é o pior, depois a coisa vai melhorando"

Ora tenho a dizer que, como mãe que sou, concordo inteiramente com as outras mães. Acabada de ultrapassar a marca do segundo mês, confirmo que a coisa vai efetivamente melhorando.

Agora já consigo distinguir os choros da piquena. Até já sei qual é o choro de manha. Sim, aquele que dura 10 segundos, ela põe a cabeça para trás, e depois acaba com ela a olhar para mim com ar de "Então, este não pegou?!". 

Já consigo identificar os sinais de sono, que não sendo atendidos, resultam no choro do sono. 

Já sei como é o choro de cólicas. É um choro que me faz a mim sentir dores (não só as dores de mãe, mas principalmente as de ouvidos!!)

Já sei quando é que posso/consigo fazer massagem das cólicas, ou quando é que nem vale a pena tentar porque só vai piorar.

Já sei quais as posições em que ela gosta mais de estar ao colo. 

Já consigo ler nos olhos dela se ela está calma, com sono, irritada, bem disposta, ou se simplesmente quer a chucha,

Já mudo fraldas de noite, sem acender a luz, de olhos fechados, sem sair da cama, no carro, sem lhe despir as calças nem descalçar os ténis, e ela fica sempre limpinha. Nenhum assadura até agora. #Proudofmyself

Já a magoo às vezes, e não se passa nada, ela nem reage. Às vezes acontece... Uma unhada, um safanão... é normal! Não é de propósito obviamente, e mesmo assim, para alguém tão desastrada como eu, até tem corrido muito bem.

Já consigo lidar bem com a amamentação. Já sei quando ela está efetivamente a consumir o que é suposto, ou se está só ali a pensar na sua curta vidinha.

Já conseguimos ter momentos de brincadeira, com música, com bonecos... Já dançamos. Ela já se entretém sozinha no tapete de atividades.

Ela já não desata a chorar quando acorda e está sozinha no quarto.

Já a visto e dispo com uma destreza considerável. Limpo olhos, cara, orelhas. Aspiro nariz, estimulo com bebegel...Já faz tudo parte do nosso dia a dia.

Já consigo ter a minha opinião acerca de cenas tipo fraldas, roupa, brinquedos, etc...

Já consigo dar de mamar em sítios públicos sem espalhafato. Sim, não sou daquelas mães fundamentalistas que acha que sacar da mama num centro comercial, à frente de toda a gente, é normal. Desculpem-me a sinceridade.
"Ah e tal é uma coisa natural!".... bem, fazer xixi também é, e eu fecho a porta quando vou à casa de banho. Lamento mas para mim é tão simples quando isto.

Já funciono bem com a produção de leite.

Já a aperto de tanto que gosto dela e ela já aceita os meus beijos intermináveis com uma paciência surreal para um bebé.

Só há uma coisa que ainda não faço, porque é tarefa exclusiva do pai da criança, que é dar banho. E também ainda não dominamos muito bem o pós banho, que resulta sempre em berreiro, até estar completamente vestida novamente. Temos feito várias tentativas. Desconfiamos que tem tudo a ver com o frio, por muito que tentemos aquecer o quarto. Temos feito a coisa por tentativa e erro. Havemos de descobrir a fórmula, nem que seja no verão de 2018, quando já não estiver frio ahahaha
(se alguém tiver dicas, são muito bem vindas!!)

Concluindo e baralhando, sim, acho que o primeiro mês foi o mais difícil. Muita coisa para aprender de repente, muita emoção à flor da pele, muita maçariquice.... Que vai tendendo a melhorar com o tempo.

Para os pais, percebo que à medida que eles vão crescendo e dando mais trabalho, logisticamente falando, lhes pareça que o primeiro mês era mais fácil, que é quando os bebes estão confinados ao berço e pouco mais. Dormem, comem e sujam fraldas.




terça-feira, 28 de novembro de 2017

Baixas, licenças e outras burocracias!!


Ora bem... tudo isto foi novidade para mim. A trabalhar desde os 17 anos, felizmente nunca precisei de estar de baixa por isso não fazia a mínima ideia de como é que a  coisa se processava.
Tentei procurar alguma informação, mas na Seg.Social nunca ninguém sabe dizer nada com muita certeza, e nos fóruns da vida, cada uma diz a sua coisa e por isso ficamos basicamente na mesma.

Então, por partes:

Baixa por gravidez de risco 
Aos 6 meses e meio a médica achou que eu devia parar. Foi muito simples. Fui ter com ela ao hospital, ela passou me a baixa desde esse dia até à data prevista para o parto. Entregou me uma cópia para eu levar à minha entidade patronal e pronto.
Isto foi no dia 7,e no dia 28 desse mesmo mês* recebi a primeira baixa (ou seja os dias de 8 a 31 desse mês).
Foi fácil e rápido. Uma verdadeira surpresa.

Licença
Então, a partir do momento em que o bebe nasce, deixamos de estar de baixa e passamos a estar de licença. Nesta fase a coisa não corre assim tão bem.
O pai foi entregar os papeis preenchidos à Seg.Social, no dia seguinte ao nascimento da texuga (podem ser entregues online mas o preenchimento não é a coisa mais fácil do mundo, por isso, e para não corrermos riscos, decidimos fazer a coisa pessoalmente).
Passaram-se exatamente dois meses até recebermos a primeira prestação. Este período de espera pode ser um pouco mais longo ou um pouco mais curto uma vez que estas prestações sociais têm datas específicas para processamento, por isso, se prestação estiver para pagamento, mas tiver passado o dia de processamento desse mês, já só se recebe no mês seguinte. É como os comboios, quando perdemos um, temos de esperar pelo seguinte.

Sim, no primeiro mês dos pequenos, a mãe não recebe nada e o pai recebe só parte do ordenado. É muito bom!!

Relativamente aos dias a tirar.
Não vou entrar muito em pormenor porque há inúmeras possibilidades de gozar as licenças...

O Pai
Tem direito a 25 dias, 15 dos quais obrigatórios e 10 facultativos (pode optar por não os tirar). Têm de ser tirados logo a seguir ao nascimento*. Estes dias são úteis e pagos a 100% pela SS. Significa que no mês ao ordenado do pai que apanhe estes dias, a entidade patronal irá descontá-los, uma vez que estes serão pagos pela SS. Este pagamento da SS, à partida, será em simultâneo com a primeira prestação da mãe.

A Mãe
Normalmente optam por tirar 120 ou 150 dias corridos (4 ou 5 meses). Os valores a receber dependem da licença ser ou não partilhada com o pai. Esta medida tem como objetivo promover a partilha desta fase com os pais.
Licença partilhada:
Se a mae tira 150 dias e o pai tira 30 dias corridos (imediatamente após os 150 dias da mãe), a licença é paga a 83%, de um e de outro.
Se a mae tira 120 dias e o pai tira 30 dias corridos (imediatamente após os 120 dias da mãe), a licença é paga a 100%, de um e de outro.
Licença não partilhada
Se a mãe tira 150 dias e o pai não tira dias nenhuns (além dos obrigatórios + facultativos que mencionei acima), a licença é paga a 80%.
Se a mãe tira 120 dias e o pai não tira dias nenhuns (além dos obrigatórios+facultativos que mencionei acima), a licença é paga a 100%.

Valores a receber
Os valores são calculados com base nos últimos meses: dos últimos 8 meses imediatamente anteriores ao nascimento, é calculado o valor dos diário recebido nos seis primeiros. Para este cálculo entram todos os valores nos quais tenham sido feitos descontos para a segurança social. 
Somam todos os valores brutos que receberam nesses seis meses, sujeitos a descontos para a SS e dividem por 180, obtendo assim um valor diário a ter como referência para pagamento das licenças.

Através do site da Segurança Social Direta consegue-se ver quando é que os valores já estão a pagamento. É pedir os acessos o quanto antes porque ainda demora uns dias até que estes cheguem à morada.

A terem de ir à segurança social, aproveitem durante a gravidez porque, mesmo o atendimento prioritário (pelo menos em Lisboa) chega a demorar mais de duas horas, e apanhar esta seca com um recém nascido atrelado a nós, não é fixe!

Para consultar tudo em pormenor podem aceder ao site da segurança social.

Nem vale a pena tecer comentários acerca do sistema porque de nada adianta. É o que temos.

Espero ter ajudado!! :)



*Desde Abril deste ano, a segurança social começou a fazer dois processamentos mensais, para colmatar os casos que entregassem os documentos mais tarde. Na baixa foi útil, na licença não valeu de nada.
*Os dias não têm de ser tooodos tirados após o dia do nascimento. No site da SS explicam as opções. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Baby Blues


"O quê?! Eu triste?! Se correr tudo bem no parto, e eu e ela estivermos bem, não há razão nenhuma para estar triste. Que Parvoíce!"

Foi isto que eu pensei quando no curso de preparação para o parto falaram em baby blues, que era uma "frescura" de pessoas frágeis.
Pois bem... não é!

Não chorei no parto nem em momento nenhum enquanto estive na maternidade. Mas quando voltei a casa, aí a conversa já foi outra...

A casa
É a mesma. O mesmo cão. O mesmo gato. Os mesmos móveis. Mas de alguma forma tudo parece diferente. Uma casa onde habitavam duas pessoas, agora habitam três. Para sempre (ou pelo menos durante os próximos anos).

As rotinas
Adoro rotinas. preciso delas para me sentir estável, e de repente todas as minhas rotinas foram quebradas. O hábito de há anos adormecer calmamente no sofá depois de jantar, o hábito de fazer caminhadas todos os dias de manhã nos últimos meses de gravidez... Até o almoçar e o jantar passaram a ser em função da disposição da pequena texuga. E isto é coisa para me destabilizar.

As funções de mãe
O adormecer, o mudar a fralda o entreter, o vestir, o despir e principalmente o alimentar. As dores tortas que tive não ajudaram a que me sentisse bem. A subida do leite, a produção a diminuir, a miuda a perder peso.... Não foi fácil.

O pai
Namoramos há quase 11 anos e vivemos juntos há 5. Aprendemos a viver um para o outro, só os dois. E vivemos bem. Agora há outra pessoa connosco. Sempre.

A responsabilidade
Cai a ficha. A responsabilidade alimentar, educar, mimar, ralhar, passear, ensinar, deixar errar, corrigir...a responsabilidade de fazer feliz.
Porra esta pesa e de que maneira!

Todas estas coisas, aliadas à corrente descontrolada de hormonas que habitam o nosso corpo naqueles dias, faz com que desça em nós uma melancolia do tamanho do mundo.
Nos primeiros dias controlei-me. Engoli o choro. Não queria que as pessoas achassem que eu não estava feliz. O que é que haveriam de pensar?!
Cada vez que alguém dizia que a texuga era linda e perfeitinha, eu enchia-me de orgulho, mas era como um alfinete a encostar a um balão prestes a explodir.
A determinada altura desisti e entreguei os pontos. Tive um ataque de choro na rua, enquanto passeávamos o Simão. Entre lágrimas e soluços disse ao F. para não se preocupar com aquele aparato, que eu estava feliz mas que precisava de chorar de vez em quando para me aliviar. Ele fez o que conseguiu... sempre que vinha um ataque de choro, lá estava o braço à minha volta e um consolo.
Fui falando disto com outras amigas-mães e não houve nenhuma que me tivesse dito que não passou pelo mesmo e isso foi me tranquilizando. Era normal, não se passava efetivamente nada de errado comigo.
Chorava por duas razões: por tudo e por nada!
O pico foi no dia em que ele voltou ao trabalho. Chorei quase o dia todo. nunca me assustou ficar sozinha com ela, o problema era ficar sem ele. Lá está, mais uma quebra de rotina. Depois de mais de um mês em casa comigo (parte dele, ainda antes da texuga nascer), ele voltava ao trabalho. Fechava-se o capitulo "Gravidez e parto".
No dia seguinte tudo estava melhor. O baby blues começava a passar. Comecei a criar as minhas rotinas com a bicha e senti-me a estabilizar outra vez.

Ainda choro às vezes, mas porque me comovo mais facilmente do que antes.(estou a escrever isto e a limpar lágrimas....shhhhiiiuuuu)
Acho que a pequena texuga me amanteigou o coração, e isto acho que não vai passar.

Substimei esta porcaria do baby blues e sinceramente, foi uma treta... Mas passou :)



Créditos Rick Kirkman e Jerry Scott




quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Quem nunca?! #4

Mandar a roupa que ela tem vestida toda para o lixo, depois de uma explosão de cocó.

Quem nunca?! 😂💩

terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Bullying na maternidade

Pois bem, quando fiquei grávida constatei que de repente toda a gente tem alguma coisa a dizer acerca do assunto. A determinada altura habituei me a aceitar tudo de forma natural e a fazer o meu filtro do que realmente era útil e do que era só conversa fiada de pessoas que falam para não estar caladas (há bastantes).

Mas piorou, porque passando para o lado de cá do mundo das mães a coisa torna-se hardcore. Há toda uma competição:quando é que nasceu o primeiro dente, quando é que começaram a comer, a gatinhar, a andar, etc... 
Esta competição torna-se pouco saudável quando é feita no tom "eu sou a melhor mãe do mundo".

"Vais dar vacinas?" -  Não, vou fazer de conta que estou no século passado, cruzar os dedos e esperar que ela não apanhe nenhuma doença da qual eu a poderia ter protegido.
"Vais pô-la na cresce?" - Não, vou deixá-la em casa com o Afonso e o Simão e o almoço num Tupperware no frigorífico.
"Cuidado com a cabeça dela" - Obrigado. Não sei como é que ela até agora ainda não deixou cair a cabeça por não ter ninguém para me alertar para a cabeça dela.
"Já trataste da licença?" - Licença ? qual licença?
"Está só com peitinho?! " - Sim senhora... peitinho de frango com cogumelos.
"Tanta roupa...deve ter calor"
"A menina está desagasalhada, deve ter frio"
"Está a chuchar na mão, tem fome" (já falei disto aqui)

Comentários, opiniões e julgamentos chegam mesmo a colocar em causa a nossa capacidade de "ser mãe". Eu felizmente não me deixo afetar por este tipo de coisas/pessoas mas alguém que seja ou esteja mais frágil, pode muito bem ir-se abaixo com este tipo de situação.
Muitas vezes isto parte da própria familia. Portanto numa fase em que tudo é novidade e as inseguranças são muitas, tudo o que mais precisamos é estarem constantemente a questionar as nossas decisões e opções.
Quando me começa a chegar a mostarda ao nariz remato sempre um "A mãe é que sabe" e acaba-se ali a conversa.

Faço parte de um dos muitos grupos de Babywearing no facebook (falarei sobre isso um dia destes), e é impressionante a forma como aquelas mães são capazes de atacar outras mãe caso elas se lembrem de aparecer por lá com marsúpios que elas achem inadequados para transportar os miúdos. Um dia destes houve uma que chegou ao ponto de comentar qq coisa do género "Filho meu não andava nisso mas você é que sabe!" !!! 
Primeiro: calma gente! é só um raio de um marsúpio, não é uma arma apontada à cabeça da criança.
Segundo: isto são maneiras de falar com alguém? há alguma necessidade?
Não era suposto ajudarmo-nos umas às outras?
Não quero parecer mal agradecida, nem tenho a mania que sei tudo, muito pelo contrário, sou a primeira a dizer que vou errar muito. Mas uma coisa é troca de opiniões e experiências, outra coisa muito diferente é julgar e apontar o dedo.

Fazer com que as outras pessoas se sintam más mães, não faz de ninguém melhor mãe. Porquê o bulliyng?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Os manos!


Ora bem... Tal como já referi no primeiro post, a Mia não foi a nossa primeira filha. Antes dela já cá moravam o Afonso e o Simão.

O Afonso veio morar comigo quando eu me emancipei, em 2010. Um gatinho de rua, adotado na União Zoófila ainda bebé.
O Simão, um labrador chocolate que está connosco desde 2014.
Sim nós humanizamos os animais, e eles para nós são como filhos.

Nunca a chegada da Mia colocou em causa a permanência de algum deles, assim como a chegada de um irmão mais novo não coloca em causa a permanência dos mais velhos.

Não, não há histórias fofinhas durante a gravidez, de eles sentirem o bebé, ou serem os primeiros a perceber que eu estava gravida... Tão pouco o Simão passou a ser mais cuidadoso comigo ou com a barriga. Continuou o mesmo monstro torpedo que sempre foi.

No SFX , a quem tem animais, eles dão o primeiro lençol para o pai levar para casa e dar aos bichos para cheirar.
Nem isso nós fizemos.
No dia em que eu cheguei a casa com a texuga, entrámos normalmente, pusemos o ovo em cima do sofá e deixamo-los cheirar à vontade. Claro que com supervisão porque o Simão quis logo lamber as mãos e a cara e nós não deixámos.

Com o Simão, hoje em dia ainda não há grande interação pq a Mia ainda não o reconhece como ser vivo, ainda nem foca o olhar nele. O Simão sempre que pode lá vem lamber as mãos, mas nada de ficar a dormir ao pé dela, ou de ser super protetor.. não, nada disso. A maior parte das vezes mostra-se indiferente. Acho que ele também ainda não a reconhece como ser interativo e também acaba por ter alguns ciúmes que demonstra com indiferença.

O Afonso é gato. No primeiro dia demos como ele a esticar a pata à Mia, só para tocar e ver se ela se mexia. A partir daí, ignora. Afinal de contas ele é um ser superior.
Quando ela chora ele limita-se a ficar sentado de longe com cara de :
"Vocês não aprendem. Não vos bastava o castanho, agora trouxeram essa coisa... "

Antes da Mia nascer falámos com a pediatra acerca dos bichos e na opinião dela é positiva a existência de animais, e possíveis alergias que possam surgir , nós lidaremos com elas.

A única questão que é realmente preocupante ainda hoje, e será sempre, é a questão dos pelos. Temos de ter cuidados redobrados, e mesmo assim parece que vejo pelos em todo o lado.
Enfim..

Pronto, foi isto. Nunca tivemos o quarto dela fechado. Nunca a escondemos. Nunca os proibimos de chegar perto ou de cheirar.  Nunca fizemos suspense de nada e a coisa deu-se de forma natural.

O Pai da criança também falou nisso AQUI!



segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Da teoria à prática #2


"Tens de dormir quando ela dorme!
#Sóquenão

Áláber.... isto é muito fácil dizer mas na prática não funciona.
"Porquê?" "Como não?"

Ora bem...quando eles estão acordados, o nosso tempo é passado a satisfazer as suas necessidades. Damos de mamar, mudamos a fralda, entretemo-los, damos de mamar outra vez, outra fralda...
Quando eles adormecem, temos de satisfazer as nossas necessidades, e dormir é só uma delas.

Não me venham com tretas de " Ah não te preocupes com as limpezas nem com a roupa!!
Certo...mas tenho de me preocupar em comer, tomar banho, ir à casa de banho.. Sim!! até as idas à casa de banho ficam condicionadas aos horários deles.

Por isso, entre todas estas necessidades que TEMOS de satisfazer, quando vamos para nos sentar um bocado a descansar, eles estão a acordar, porque também não é suposto dormirem tantas horas seguidas de dia como dormem à noite.

Normalmente aqui por casa, consigo acompanhá-la na sesta da tarde, mas não é sempre, porque até mesmo a questão das limpezas...desculpem me se me faz confusão não ter a casa limpa. é que eu tenho um cão e um gato e efetivamente eu prefiro ter olheiras e ter a casa minimamente apresentável do que viver no meio da confusão e dos pelos no chão.

Ok à noite eu podia ir para a cama à hora que ela vai. Às nove da noite. Só que não. Também tenho um marido com quem gosto muito de estar e também gosto de jantar calmamente e relaxar um bocado no sofá depois de jantar.

Por isso.... não, não é tão simples como dormir quando eles dormem.

Mas eu não percebo nada disto...


sábado, 4 de novembro de 2017

Quem nunca?! #2

Quando o Pai da criança está a por a texuga no berço, com todo o cuidado para ela não acordar, e te dá um ataque de riso por causa dos ursos do mobile que lhe estão a bater na cara, um atrás do outro!!

Quem nunca?! ahahahahah


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O Parto III - Considerações finais


Antes de ficar grávida tinha um medo terrível do parto, da dor, etc... 
Quando engravidei, a inevitabilidade da coisa acabou por fazer desaparecer o medo. Não pensava nisso e quando pensava não me fazia qualquer confusão.
Acho que o truque é não criarmos expectativas, nem boas nem más, e estarmos de espírito aberto. Durante nove meses vamos ouvir relatos de partos horríveis e de partos maravilhosos. Cada caso é um caso, por isso é aguardarmos pela nossa vez com tranquilidade.

Sempre tive medo de poder vir a ter de fazer cesariana, fazia questão que fosse parto normal por todos os motivos e mais alguns: pelas oscilações hormonais, pela recuperação, pela passagem dela pelo canal de parto e todos os seus benefícios, etc...
A parte que eu mais temia, a chamada "fase da extração" é sem duvida a mais fácil, ao contrario do que eu achava.

Foram 22 horas no bloco de partos, 14 delas em trabalho de parto ativo. Entrei de noite e saí de noite. Para mim, o dia 23 de Setembro foi uma longa noite.
Apesar de poder chocar o número de horas, a verdade é que acho que correu super bem. As TRÊS equipas de enfermeiros que apanhei foram impecáveis e o enfermeiro Fernando foi o responsável pela parte final do parto ter corrido tão bem. Um verdadeiro profissional. Em plena crise da classe dos enfermeiros (e sempre a temer que a texuga resolvesse nascer em plena greve) passei a dar ainda mais valor a estes profissionais.

Também durante o internamento as enfermeiras foram excecionais. Sempre disponíveis para ajudar, esclarecer e mimar.
É sempre polémica a questão "parto no público ou no privado". É verdade que se calhar gostaria de estar num quarto sozinha, mas soube me bem, no primeiro dia de internamento e com alguma dificuldade de movimentos, ter uma colega de quarto que me chegou a mesa com o pequeno almoço e me emprestou uma lima para limar as unhacas da texuga.
Normalmente a decisão baseia-se no facto do pai poder ficar na maternidade. O F. foi fundamental em todo o processo, não imagino a minha vida sem ele, mas aquelas horas em que terminava a visita e eu ficava sozinha com a bicha, foram fundamentais para que, depois de ter alta, sempre me tenha sentido 100% capaz de cuidar dela sozinha.


Dia 23. a poucos instantes de rebentarem as águas

Tivemos alta dois dias depois.







Parto II - Curiosidades

Coisas de que normalmente não se fala:

Epidural : Não doeu nada a colocar o cateter. Tinha um bocado de medo pelo facto de durante o procedimento não nos podermos mexer e estarmos em pleno trabalho de parto com contrações e tal... A verdade é que a reação do meu corpo à contração era a de se imobilizar, por isso ajudou. Só somos picadas uma vez, os reforços são dados pelo cateter. 
Dá imensaaaaaa comichão em todo o corpo. Bendito F. que passou muito tempo a esfregar-me as pernas!!
Não sentimos dor nenhuma nas contrações. Só sabemos que estamos a ter uma contração porque vemos o CTG aumentar o valor até ao pico da contração e depois a diminuir.
Levei só ONZE reforços!! (porque foram muitas horas)

As águas : a sensação mais estranha do mundo. Não doi nada. É só extremamente desconfortável. E nojento!

Os vómitos: Dizia a enfermeira "parto vomitado, parto abençoado" e eu pensei "bullshit", mas ela depois explicou que o movimento do vómito ajuda na descida do bebe e no trabalho de parto. Explicaram me que a hormona prostaglandina, produzida durante o trabalho de parto, é nauseante, e daí os vómitos.

Os toques : os primeiros que fizeram no dia em que comecei com contrações doeram. Depois de começar a dilatação e de levar a epidural, os toques deixaram de doer.

Alarme : Os bebes estão alarmados. é-lhes colocada uma pulseira eletrónica no tornozelo assim que nascem, e tanto no piso do bloco como no piso do internamento não podemos passar das zonas assinaladas sob pena de ativarmos o alarme.
( eu ativei... andava a embalar a texuga e aproximei me demasiado duma janela que estava além da zona de alarme )

Alta : só podemos sair do hospital depois de termos ambas alta, nós mães, da obstetra, e os miúdos de um pediatra.

Exame auditivo : é feito um exame auditivo antes da alta do bebe. A texuga não passou. Pode acontecer ainda terem resíduos do parto no canal auditivo, o que interfere com a audição. Tive de lá voltar 3 semanas depois para repetir o exame. Passou com distinção :)

Barriga/Peso : Apesar de não ter engordado muito (não passei dos 10kg) saí do hospital com uma barriga de 25 semanas de gravidez. Ao fim de uma semana vai ao sitio, mas no dia seguinte ao parto é só chato olharmo-nos ao espelho e parecer que continuamos grávidas.

Lóquios : Hemorragias. Cuecas de incontinência. Sexy. Não vou aprofundar, quero esquecer!

Registo : existe um gabinete no piso do internamento onde se registam os bebés e onde quem quiser pode logo tratar do cartão de cidadão.

Acompanhante :  O F. esteve comigo no bloco de partos durante todo o tempo do trabalho de parto. Só o mandaram embora às 5h30 quando eu e a texuga subimos para o internamento. A partir daí tinha de respeitar o horário de visita do pai. Ali no SFX são extremamente flexíveis à presença do pai, mesmo depois de terminado o horário da visita.

Comida : É muito boa e as auxiliares são amorosas. Sempre prontas a satisfazer pedidos e a dar um miminho.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Fomos jantar fora pela primeira vez!

No sábado o Pai da criança fez anos. 

O almoço foi em casa, com família, mas ao jantar pensamos em aventurarmo-nos num jantar fora. O primeiro jantar fora com a texuga.

Como não fazemos a coisa por menos, achámos que a Portugália era uma boa opção. Primeiro porque podemos ir a pé, e evitamos a logística do põe o ovo no carro, tira o ovo do carro, e depois porque durante 9 meses, todos os dias que passava por ali, babava ao pensar naqueles bifes. Infeliz por não ser imune à toxaplasmose , nunca toquei em carne mal passada.
Vai daí que lá fomos nós. Cumprindo a rotina da noite (falarei de rotinas um dia destes), a bicha haveria de dormir durante todo o processo.

E assim foi. Dei lhe a última mama antes de sairmos de casa (à hora do costume), a bicha adormeceu assim que saiu de casa, e assim se manteve. Mesmo com todo o barulho típico de uma cervejaria.
Isto depois de um dia a passar do colo da avó, para o colo da tia, do colo da tia para o colo do tio... E de ter passado a tarde a passear na baixa.

Cumpriu a rotina da noite e dormiu até à hora a que costuma acordar para mamar (por volta da 1h).

Correu super bem. Ficamos maravilhados. É bom podermos a pouco e pouco regressar à nossa normalidade.


Parto I - O Relato

Dia: 22 Setembro 2017
Hora: 10h 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 2 dias

Acordo com uma dor semelhante à dor do primeiro dia do período. Nada de especial. Pelo que tinha ouvido, pensei que pudessem ser contrações.
Tranquila. Nada de muito forte nem incomodativo. 
Vou à casa de banho.
Wow.... Hemorragia. Isto já não é mto normal.
Pegámos em nós e São Francisco Xavier com eles.
Resultado: Nada de especial. Está com contrações sim. Está em fase latente do trabalho de parto. A coisa pode estar por horas, mas também pode estar por dias. A hemorragia é o colo do útero a ceder. 
"Vá pra casa, andar muito e comer pasteis de Belém" - que sacrificio!! 


Dia: 22 Setembro 2017
Hora: 23h 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 2 dias

Contrações ritmadas de 5 em 5 minutos (mais coisa menos coisa) desde as 17h.
"Vamos jantar ao Mac (má ideia) e depois vamos ao hospital outravez, pq eu estou que não me aguento!"
Resultado: Recambiada para casa. Não tem dilatação nenhuma. As contrações estão fortes mas é a vidinha. Aguenta e não chora!

Dia: 23 Setembro 2017
Hora: 3h 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 3 dias

Não dá para aguentar. Já subia pelas paredes cada vez que vinha uma contração.
Lá fomos nós mais uma vez ao hospital.
Ok, apesar de ainda não haver dilatação resolveram internar-me uma vez que as contrações estavam muito fortes, e era necessário monitorizar os batimentos cardíacos da texuga.

Dia: 23 Setembro 2017
Hora: 11h30 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 3 dias

Continuamos sem dilatação. Um anjo chamado Enfermeira Sara teve piedade da Mae da Texuga e lá falou com as anestesistas para me virem dar a epidural.
A partir daqui tudo seria mais fácil......

Dia: 23 Setembro 2017
Hora: 13h30 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 3 dias

Rebentam as águas.
Ok, agora sim estamos em trabalho de parto ativo. Sim só agora!!!
Mas...sem dilatação. Por isso, aguenta!
A epidural é a oitava maravilha, mas..... Quando passa o efeito, as contrações não voltam de forma gradual...não! Voltam em força, e entre chamar o enfermeiro, ele vir fazer um toque para avaliar a dilatação, dar o reforço e este fazer efeito.. são assim 10 minutinhos de dor....muita dor!

Dia: 23 Setembro 2017
Hora: 23h30 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 3 dias

Estagnámos nos 8cm de dilatação.
Entretanto eu já vomitei 3 vezes: uma ainda em casa, outra assim que fui internada e uma terceira quando o Enfermeiro Fernando me pediu para me levantar da marquesa para ver se a texuga descia mais e ajudava na dilatação.
Nestes entretantos, pedinxei comida a tudo quanto era enfermeiro e auxiliar que entrava no bloco. Alguns cediam e traziam me bolachas, mas depois de rebentarem as águas, já só me traziam chá!Beber água só em golos muito pequeninos.
Também tive febre.
E para ver se ajudava, já estava a levar com a occitocina há umas horas.

Dia: 24 Setembro 2017
Hora: 1h30 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 4 dias

Chegámos aos 10cm de dilatação.
"Agora tens de ter vontade de fazer força!" diz me o enfermeiro Fernando.
WHAT?? como assim??...sei lá eu de que é que tenho vontade!! Aliás sei...tenho vontade de comer., de sair daqui, de gritar com dores...

Dia: 24 Setembro 2017
Hora: 3h15 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 4 dias

"Ora vamos lá por essa miúda cá fora". Disse-me que ia precisar de "uma ajudinha" - referia-se à ventosa - porque ela estava com a cabeça ligeiramente desviada.
Entra o medico obstetra, uma equipa de enfermeiros e começam a montar o circo.
Deixaram o F. ficar. Felizmente.

Dia: 24 Setembro 2017
Hora: 3h30 
Tempo de gravidez: 40 semanas e 4 dias

A bicha estava cá fora.
Fiz força duas vezes. Juro.
Fácil e sem dor alguma. Nunca achei que depois das dores do trabalho de parto, aquilo tudo culminasse num momento tão rápido e indolor. Mas ainda bem que assim é.
Puseram na em cima de mim cheia de sangue. Um nojo!
Não sabia que depois ainda tinha de parir a placenta. Bem pior do que parir a criança.

Dia: 24 Setembro 2017
Hora: 5h30

Depois das 2h no bloco, para garantir que ambas estávamos estáveis, tivemos então autorização para subir para o internamento no 3º piso.

Tinha acabado.

Ou melhor....tinha acabado de começar!