sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O Parto III - Considerações finais


Antes de ficar grávida tinha um medo terrível do parto, da dor, etc... 
Quando engravidei, a inevitabilidade da coisa acabou por fazer desaparecer o medo. Não pensava nisso e quando pensava não me fazia qualquer confusão.
Acho que o truque é não criarmos expectativas, nem boas nem más, e estarmos de espírito aberto. Durante nove meses vamos ouvir relatos de partos horríveis e de partos maravilhosos. Cada caso é um caso, por isso é aguardarmos pela nossa vez com tranquilidade.

Sempre tive medo de poder vir a ter de fazer cesariana, fazia questão que fosse parto normal por todos os motivos e mais alguns: pelas oscilações hormonais, pela recuperação, pela passagem dela pelo canal de parto e todos os seus benefícios, etc...
A parte que eu mais temia, a chamada "fase da extração" é sem duvida a mais fácil, ao contrario do que eu achava.

Foram 22 horas no bloco de partos, 14 delas em trabalho de parto ativo. Entrei de noite e saí de noite. Para mim, o dia 23 de Setembro foi uma longa noite.
Apesar de poder chocar o número de horas, a verdade é que acho que correu super bem. As TRÊS equipas de enfermeiros que apanhei foram impecáveis e o enfermeiro Fernando foi o responsável pela parte final do parto ter corrido tão bem. Um verdadeiro profissional. Em plena crise da classe dos enfermeiros (e sempre a temer que a texuga resolvesse nascer em plena greve) passei a dar ainda mais valor a estes profissionais.

Também durante o internamento as enfermeiras foram excecionais. Sempre disponíveis para ajudar, esclarecer e mimar.
É sempre polémica a questão "parto no público ou no privado". É verdade que se calhar gostaria de estar num quarto sozinha, mas soube me bem, no primeiro dia de internamento e com alguma dificuldade de movimentos, ter uma colega de quarto que me chegou a mesa com o pequeno almoço e me emprestou uma lima para limar as unhacas da texuga.
Normalmente a decisão baseia-se no facto do pai poder ficar na maternidade. O F. foi fundamental em todo o processo, não imagino a minha vida sem ele, mas aquelas horas em que terminava a visita e eu ficava sozinha com a bicha, foram fundamentais para que, depois de ter alta, sempre me tenha sentido 100% capaz de cuidar dela sozinha.


Dia 23. a poucos instantes de rebentarem as águas

Tivemos alta dois dias depois.







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