segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A cura do sono!!


Três semanas.
Há três semanas que durmo incomparavelmente melhor.
Há três semanas que a Mia dorme no quarto dela, e foi das melhores coisas que eu fiz desde que ela nasceu.

Comprámos um daqueles berços que fica ao lado da cama, o que para uma mãe de primeira viagem é uma maravilha, ter a cria ali à distância de um braço, literalmente.

Tal como falei aqui, nós já tínhamos as nossas rotinas relativamente bem definidas, e há coisa de mês e meio disse ao F. que ia tentar pô-la a dormir na cama de grades. 
O que é que aconteceu?
O pai da criança resolveu ter este diálogo com a cria:
"Tas a ver filha.... a mãe quer ver se livre de ti... até já está a correr contigo do quarto..."
Ora, por muito que eu saiba que ele se estava só a meter comigo, estas coisas pesam (sim, estou mais sensível, deixem-me).
Resultado: ao primeiro gemido da bicha, agarrei nela e levei-a para o nosso quarto outra vez.
Sabotagem...é o nome disto!! -_-

Entretanto lá fomos falando com outros pais e tal, e lá achámos que deveríamos voltar a tentar, mas mais à bruta.
Agarrámos no berço, levámo-lo para o quarto dela e ficou ao lado da cama de grades. Era o tudo ou nada, porque não íamos trazer o berço de volta para o quarto a meio da noite.
E correu bem!! No primeiro dia choramingou um bocadinho logo no início da noite, mas passou.
No post das rotinas disse que ela dormia um sono mais longo no principio da noite e de dois ciclos mais pequenos.... Agora dorme 2 ciclos grande, entre quatro horas e meia e cinco horas cada um.
Também atrasámos um bocadinho a hora de deitar (já a ando a tentar adaptar aos horários de quando voltar ao trabalho). Agora deita-se por volta das nove e meia. Acorda por volta das duas/duas e meia e dps dorme até às sete.
Ainda consigo que volte a dormir até às nove. Uma autêntica maravilha! 
Fica com o intercomunicador, claro está, e só acordo quando ela chora para mamar.
É que nem me chateia nada ter de me levantar da cama para lhe ir dar mama...porque depois volto para a cama e durmo BEM! 
Vou lá ao quarto, sem acender nenhuma luz, dou-lhe mama, deixo a na cama e volto para a minha. 
Ela às vezes vai fazendo alguns barulhos mas acaba por adormecer e eu só lá vou mesmo se ela chorar, e até agora só precisei de lá voltar uma vez.

Ter o berço ao lado da cama é bom, mas:


  • eu acordava com o mínimo barulho que ela fazia
  • quando a sentia acordada durante algum tempo, era mais forte que eu, e ia lhe por a chucha ou tirava a do berço para mamar. Mesmo que ela não chorasse. E era eu que acabava por despertá-la
  • dormia tensa porque tentava não me mexer para não a acordar
  • Tinha insónias porque acordava muitas vezes durante a noite
  • ela acabava por dormir mal por causa do barulho que fazemos a mexer na cama

Ontem demos o passo seguinte. Pusémo-la a dormir na cama de grades, e mais uma vez correu bem. Foi só mesmo a mudança da cama. Mantemos sempre a manta onde ela dorme e isso ajuda. Assim que a deito, ela começa logo a virar a cara para se conseguir esfregar na manta. 

Também ajuda o facto dela já não precisar de embalo. No inicio da noite, deito-a acordada e ela adormece comigo a cantar (COITADA). Depois das mamadas durante da noite é só pousá-la na cama e ela adormece logo, nem precisa da chucha. 

Acho que não há ciências exatas nisto dos bebés. Eles são todos diferentes e é preciso é ir sabendo ler os sinais deles, sem forçar só porque o livro X assim o diz ou a pessoa Y fez assim com o filho.
Sempre me disseram que os pais aprendem a identificar os sinais dos filhos, e eu morria de medo de não saber identificar os da minha filha. A verdade é que no inicio eu não conseguia, para mim era tudo novo, tudo igual, mas neste momento é automático. Também acho que a Carmocas é um miúda fácil de ler, e isso ajuda muito.

Continuamos a encontrar-nos a meio caminho! :)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

365 dias depois....


Faz hoje um ano que fiz um daqueles testes de gravidez da farmácia, após uma semana de atraso, e confirmei que estava de esperanças.
Não me vou esquecer do dia porque tive um evento importante da empresa, e passei o dia a pensar que tinha de fazer o teste quando chegasse a casa.
Não deixou de ser engraçado estar nesse dia a almoçar com colegas e uma me dizer "Agora que a C. está quase a voltar da licença, a seguir és tu a ficar grávida"...ahahahah 

Foi um ano espetacular, claro está. A gravidez correu bem, e eu consegui manter as idas ao ginásio até aos 4 meses. A partir daí, não por falta de vontade, mas por falta de tempo, a coisa ficou para trás.

Durante a gravidez fui sempre fazendo caminhadas à beira rio. Como não tinha restrições da médica, todos os dias saía de casa por volta da hora de almoço (sim, no pico do calor), e fazia entre 6 a 7 km à beira Tejo. Claro que isso ajudou a controlar o ganho de peso.

Pesei me 3 dias antes da Mia nascer e estava com exatamente mais 10 kg do que o meu peso habitual. Faço parte daquele grupo de mulheres sortudas que não faz grande retenção de líquidos, nem pés inchados, nada...
Voltei a pesar-me uma semana depois da bicha ter nascido e estava com mais 4 kg do que o meu peso habitual, por isso fiquei tranquila.

Passados 4 meses, apesar de estar satisfeita com a recuperação e já estar com o meu peso habitual (só me voltei a pesar ontem), achei que estava na hora de voltar ao exercício.

Marquei uma sessão de PT e lá fui eu com as esquisitices do costume:
- Não quero perder peso
- não quero ganhar peso
- Não vou fazer dieta
- Não como às horas que devia ( embora esteja um bocadinho mais disciplinada por causa do leite)
- Não tenciono vir ao ginásio muitas vezes por semana
- Não gosto de correr na passadeira
- Não gosto de fazer flexões
- Não gosto de burpees
Posto isto.... era um milagre para a mesa do canto sff ahahaha

Basicamente preciso de tonificar: pernas, braços, rabo e barriga. 
Fiquei a saber que ainda tenho a diástese abdominal aberta ( a parte central do abdominal que abre para a barriga crescer durante a gravidez), por isso não me posso esticar muito nos exercícios abdominais.

À parte disso, soube bem voltar a fazer exercício.

Se de pois de voltar ao trabalho me vai apetecer abdicar do pouco tempo livre para estar com a bicha, para ir ao ginásio, isso já é outra conversa. A ver vamos, até porque ainda falta um tempinho :)



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O meu maior medo.


Quando pensava que ia ter uma criança, muitos medos surgiam. Eu nunca tinha tido contacto com bebes a ponto de ter algum tipo de preparação. Nunca tinha mudado uma fralda, e poucas vezes tinha pegado num recém nascido, por isso as inseguranças eram muitas.
Medo da alteração de rotinas, da mudança drástica nas nossas vidas, e do seu caráter definitivo.

Mas no meio disto tudo, o meu maior medo era o de perder a relação que tinha com o F. 
É inegável que um filho é uma pedrada no charco. Todas as alterações inerentes, o cansaço, as tarefas, têm tudo para poder comprometer a relação e esse era o meu maior medo. 
Namorados há quase 11 anos, sempre tivemos uma dinâmica e uma cumplicidade muito grande e eu morria de medo que o aparecimento duma criaturinha nos destabilizasse, nos fizesse discutir, coisa que até então não acontecia, nos anulasse, nos fizesse perder o encanto.
Cheguei a temer deixar de gostar tanto dele, por passar a gostar mais da texuga.
Tive medo que se perdesse o que nós tínhamos, e que se perdesse para sempre. Que nos afastássemos, que passássemos a existir em função da Mia e que os nossos assuntos e as nossas conversas girassem exclusivamente à volta dela.

Nada disso aconteceu. A nossa dinâmica mantêm-se, simplesmente adaptámos o nosso dia-a-dia à nossa bicharoca. 
Continuamos a ser dois putos que se riem de coisas parvas. Continuamos a adormecer no sofá e a tomar o pequeno almoço ao meio dia ao fim de semana. Continuamos a andar de mão dada, a comer fast-food, a partilhar piadas parvas e gossip. Continuamos a falar com o olhar e a adivinhar os pensamentos um do outro.  Continuamos a falar de tudo e mais alguma coisa, e eu continuo a ser a esposa que manda mensagem a dizer "Tou chateada contigo!" porque não gosto de ficar a moer as coisas.

Continuamos a ser uma equipa e eu continuo a amá-lo como sempre, ou ainda mais, e assim sendo, não tenho medo de mais nada.



segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O problema não é ela, sou eu!


Ando podre!!
"Ah mas ela não te dá boas noites?!"
Dá!...A Mia acorda no máximo duas vezes por noite.... não dorme a noite toda, mas para uma bebé de quatro meses que está só com leite materno, não nos podemos queixar.

Então qual é o problema?
O problema é que, uma das vezes que ela acorda é por volta das 4h ou 5h e depois aqui a menina não volta a pregar olho.

Sempre tive este problema, isto não é novo, aliás, a minha mãe era igual. Se acordo durante a noite, facilmente espanto o sono. 
Adoro adormecer no sofá, mas o meu organismo está programado para estar acordado o tempo suficiente para chegar do sofá à cama. Se fizer algum desvio para ir, sei lá,  à casa de banho, beber água, whatever... é o suficiente para não voltar a pregar olho.

Tive sorte durante a gravidez por não ser daquelas grávidas que acorda de hora a hora para ir à casa de banho, senão estava tramada.

E depois não sou daquelas pessoas que está acordada e está bem. Estou acordada às voltas na cama durante horas, arreliada por não estar a dormir, a pensar que devia estar a dormir, enervada por não estar a aproveitar para descansar.... Para cumulo esta noite, cheguei a levantar-me e ir para a sala mas quando a criança voltou a acordar, eu estava tão enervada que ela não conseguiu mamar, porque com os nervos, o leite não saía!!! 
Depois a falta de descanso tolda-nos o discernimento...Eu choro porque não consigo dormir, ela chora porque não consegue mamar.. Tadinha, apanhada no meio dum drama destes, às tantas da manhã, sem ter culpa nenhuma.

Haverá muitas mães de bebés a sofrer de insónias?? 

Que paciência!!

sábado, 6 de janeiro de 2018

O que eu queria, era ter um menino!

Sim, sempre que pensei em ter filhos, sempre me imaginei como mãe de menino, mais ainda porque até há bem pouco tempo não considerava ter mais do que um filho.
Aliás, quem me conhece há mais tempo sabe que quando se falava de filhos, eu dizia que preferia ter um menino.
Na verdade nunca tivemos um nome 100% decidido caso fosse rapaz, no entanto, Maria do Carmo já há muito que era a nossa escolha caso fosse menina.
Quando a obstetra começou a dizer "Não se vê muito bem, mas se eu tivesse de arriscar , diria que era uma menina" confesso que parte de mim tremeu. 
Na ecografia morfológica veio a confirmação, era uma texuga!
Acho um bocado exagerado dizer que me senti desiludida, mas o sentimento não andou longe disso. Parecia que alguém não tinha lido o meu guião, e não tinha visto que era suposto ser um rapaz e não uma rapariga. 
Nunca fui muito girly, e toda as coisas de meninas, as bonecas, as brincadeiras, as roupas, as purpurinas, as princesas, etc, me causavam algum asco.

"Ah e tal, mas o importante é vir com saúde!"
Claro que sim, mas não acredito que, quando há uma preferência no género e as contas saem ao lado, não haja este sentimento de "Nãaooo...eu é que escolho!!" 
É egoísta?!... Claro que é! Ao mais alto nível! Mas é assim..

A verdade é que aos poucos fui me habituando à ideia de ter uma cachopa, e agora olhando para trás, acho que quem não leu bem o guião, fui eu. 
Estou a amar ter uma menina, uma "eu" em miniatura. Descobrir as características que fazem dela mulher tem sido qualquer coisa de delicioso. 
É super dramática e teatral, quando quer alguma coisa, faz um chorar de manha e manda a cabeça para trás enquanto bate o pé! SIM com três meses ela levanta a perna quando faz birra, é lindo!
Grita com os bonecos, é super tagarela... vai ser como a mãe e passar duas horas ao telefone com a melhor amiga, depois de chegar a casa e ter estado o dia todo com ela na escola.
Os gritinhos que já dá (e que me vão dar cabo da cabeça daqui a uns tempos) e os risos agudos, são tão de menina..!!

Tem sido difícil encontrar roupa que não tenha brilhantes. Apesar de me ter rendido aos rosas, continuo a odiar tudo o que tenha brilhantes. Já me basta pensar que vou ter de tolerar quando ela tiver capacidade de escolher.

Quando soube que era uma menina, disse logo que não queria fitas na cabeça que achava parvo..... Já tenho várias, de várias cores e feitios.
Gosto de coisas diferentes. Mandei fazer um turbante para ela que é um coisa...

Penso na roupa dela como pensava na minha. Penso que tenho de comprar umas calças X para vestir com a camisola Y, mas depois tenho de arranjar umas botas W, que também vão ficar mesmo bem com as outras jardineiras. E isto é coisa para me fazer gastar um bom dinheiro. É todo um mundo de perdição!

Não sai à rua de qualquer maneira...é a minha nenuca, e visto e dispo até fazer um conjunto de que goste.Ela tem uma paciência descomunal, mas no fundo acho que por ser miúda, acaba por gostar.
Depois de a vestir, levo-a sempre ao espelho e pergunto "Tás linda filha?!"...Uiii... é vê-la a rir-se toda. Já filmei várias vezes, é um máximo.

Tou doida para que o cabelo comece a crescer e possa começar a penteá-la, a por ganchinhos e lacinhos, naqueles caracóis que eu tenho a certeza que ela vai ter (ainda que preferisse que não tivesse).

Vamos ter as nossas pegas, faz parte, mas espero sinceramente que ela consiga sempre ver em mim uma mãe-amiga e confidente (digo mãe-amiga porque não se pode perder o respeito de "mãe").

Posto isto, eu queria ter tido um rapaz, mas agora não trocava a minha miúda por nada. Até já penso que se na segunda volta vier outra miúda, não me chateio como me chateei naquele dia, daquela eco, em que o Dr.Carlos Silva disse "Sabe o que é aquilo ali na imagem? é o motivo pelo qual o pai tem de comprar uma caçadeira!"